Economia

Petroleiras brasileiras caem na Bolsa após ataque à Venezuela, na contramão do exterior

A Petrobras e outras petroleiras brasileiras fecharam o pregão desta segunda-feira (5) em queda na Bolsa de Valores
Petroleiras brasileiras caem na Bolsa após ataque à Venezuela, na contramão do exterior
Foto: Divulgação Petrobras

A Petrobras e outras petroleiras brasileiras fecharam o pregão desta segunda-feira (5) em queda na Bolsa de Valores, na esteira do ataque dos Estados Unidos à Venezuela no último fim de semana.

A queda em bloco das empresas foi na contramão de empresas norte-americanas, como Chevron, que agora estão à frente das operações e da infraestrutura do país sul-americano, dono da maior reserva de petróleo do mundo.

A avaliação de analistas e investidores é que as petroleiras brasileiras podem perder atratividade com a expectativa de novos investimentos no setor na Venezuela, além de terem que lidar com preços mais baixos da commodity, devido a um potencial crescimento da oferta.

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Em um dia em que o Ibovespa subiu 0,82%, os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras tiveram perdas de 1,67% e 1,66%, respectivamente, equivalente a uma perda de R$ 6,8 bilhões no valor de mercado. A companhia de óleo e gás Prio, antiga PetroRio, recuou 1,46%, e a Brava Energia, que explora, produz e comercializa petróleo e seus derivados, fechou com queda de 5,75%. Contrária à tendência, PetroReconcavo, empresa que revitaliza campos maduros terrestres, fechou com variação positiva de 0,63%.

Nos EUA, as ações da ExxonMobil e da Chevron subiram 2,21% e 5,10%, respectivamente.

A Chevron é a única grande produtora de petróleo americana que ainda atua na Venezuela e tem pacerias com a estatal local PDVSA.

Já a ExxonMobil não atua mais na Venezuela. Em 2023, a empresa americana afirmou que o governo venezuelano lhe devia US$ 984,5 milhões em compensação após longos processos de arbitragem internacional. Os casos remontam a 2007, quando os projetos da companhia foram expropriados. Em setembro de 2025, um tribunal dos EUA reconheceu a obrigação da Venezuela de pagar a quantia.

Na Bolsa de Londres, o preço do petróleo Brent, referência internacional, subiu 1,66%, a US$ 61,76 por barril -US$ 1 a mais em relação ao fechamento anterior. O WTI, dos Estados Unidos, subiu 1,74%, para US$ 58,32.

O descolamento do mercado brasileiro em relação às cotações internacionais deriva da percepção de que a concorrência no mercado latino-americano poderá aumentar, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, “principalmente se as empresas americanas ganharem espaço por aqui, como parece ser o plano dos EUA”.

Além disso, investidores preveem queda no preço da commodity caso a Venezuela entre de vez no setor petroleiro. A produção do país despencou nas últimas décadas, em meio à má administração e à falta de investimento estrangeiro após a estatização das operações petrolíferas nos anos 2000.

“A incógnita para o mercado é como os fluxos de petróleo da Venezuela mudarão devido a ações dos EUA”, afirmam os analistas da consultoria Aegis Hedging em nota.

PROJEÇÕES

O cenário desperta cautela nos operadores quando eles projetam os resultados financeiros das petroleiras brasileiras. Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o ataque à Venezuela acende sinais de alerta pelo potencial de repetir o que aconteceu em 2025.

“As empresas apresentaram bons resultados operacionais, mas o lucro foi pressionado por preços de petróleo mais baixos. Além disso, a médio prazo, uma possível normalização da Venezuela, que hoje representa menos de 2% das exportações mundiais, traria uma oferta muito maior ao mercado, empurrando os preços para baixo e tornando este efeito atual apenas algo de curto prazo.”

Refletindo esses temores, o Brent chegou a cair para menos de US$ 59 por barril no início das negociações desta segunda-feira.

No caso da Petrobras, a preocupação é que a queda no preço do petróleo e perda de investimentos para o país vizinho tenham que levar estatal a uma revisão do plano de investimentos.

A informação foi dada por um conselheiro da estatal, que falou com a coluna Painel S/A da Folha de S.Paulo sob condição de anonimato.

O tema será discutido na primeira reunião do ano do conselho de administração da estatal, prevista para o dia 16.

João Daronco, analista da Suno Research, diz não esperar mudanças abruptas ou grande pressão nas cotações das empresas no curto prazo. “Grande parte disso já está precificado pelo mercado.”

Conteúdo distribuído por Folhapress

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