Privatização da Copasa tem mais risco e modelo não é tão robusto, diz CEO da Sabesp
O presidente da Sabesp, Carlos Piani, afirmou nesta terça-feira (7) que o modelo de privatização da Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais, não é tão robusto se comparado ao que foi executado pelo Governo de São Paulo, e que o risco do projeto mineiro é maior.
A declaração contrasta com o entusiasmo que a companhia vinha demonstrando na possibilidade de comprar a Copasa. Em conferência de resultados em março, por exemplo, o próprio Piani disse que a operação era atraente dado o porte da estatal mineira.
“Olhando para a experiência da [privatização da] Sabesp, o modelo foi muito robusto. Pelo pouco que a gente conhece, [o projeto de Minas] é um pouquinho diferente. Acho que não é tão robusto quanto o modelo de São Paulo. Tem um pouco mais de risco”, disse durante evento do Bradesco, em São Paulo.
Segundo Piani, a Sabesp continua estudando a privatização da Sabesp, assim como outras concessões pelo país. No entanto, o executivo ponderou que o projeto precisa ter um retorno ajustado ao risco.
Um dos pontos comentados pelo executivo é sobre o modelo regulatório em Minas Gerais, especificamente sobre a renovação dos contratos de água e esgoto com os municípios. Piani comparou com o processo feito em São Paulo, que reuniu os grupos em unidades regionais (as Uraes).
Para ele, em Minas Gerais não houve tempo para desenvolver a renovação dos contratos da mesma forma que em São Paulo, o que resulta em um perfil de risco diferente.
“O trabalho de regionalização da URAe é muito robusto. A renovação dos contratos é algo que infelizmente não deu tempo [em Minas], pelo que a gente assim, humildemente, lê de fora, porque não foi desenvolvido do mesmo jeito. Então, no mínimo, tem um nível de risco diferente do que a Sabesp tem.”
Piani classificou o cronograma de privatização exercido pelo governo de Minas Gerais como “muito corrido”.
Segundo ele, embora a Sabesp olhe todas as oportunidades de mercado, ele ressalta que a empresa é extremamente seletiva (executando apenas 2% a 3% do que analisa) e que qualquer investimento fora de São Paulo está condicionado à entrega das obrigações principais no Estado e a um retorno adequado ajustado ao risco.
“São Paulo está muito próximo de nós, Minas Gerais um pouquinho mais longe, mas também vamos olhar [o projeto da Copasa] se vier a mercado. Eu acho que o timing está muito corrido.”
Conteúdo distribuído por Folhapress
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