PIB de Minas Gerais avança 0,7% no primeiro trimestre de 2022

Aumento da riqueza do Estado neste ano pode chegar a 1% se o desempenho dos serviços for mantido
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PIB de Minas Gerais avança 0,7% no primeiro trimestre de 2022
O valor adicionado do setor de serviços cresceu 3,8% de janeiro a março em Minas, conforme o levantamento da Fundação João Pinheiro | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais somou R$ 207,9 bilhões no primeiro trimestre de 2022. O número indicou aumento de 0,7% frente ao dado observado no trimestre imediatamente anterior e de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O grupo de energia e saneamento puxou o desempenho da atividade econômica do Estado frente aos últimos três meses do exercício anterior, enquanto o setor de serviços liderou o crescimento na comparação anual.

Na outra ponta, a indústria extrativa teve o pior resultado em relação ao quarto trimestre do ano passado, enquanto a agropecuária puxou para baixo o desempenho sobre o primeiro trimestre de 2021. Para o acumulado do exercício é esperado um crescimento da atividade econômica mineira da ordem de 1% sobre o exercício passado.

Os dados foram apresentados pela Fundação João Pinheiro (FJP), responsável pelo cálculo oficial da soma dos bens e serviços produzidos no Estado. E segundo o professor e pesquisador da instituição, Raimundo Leal, as perspectivas para o desempenho dos próximos trimestres dependerá de uma série de condicionantes. Entre elas, a continuidade do bom resultado do grupo de serviços.

Conforme Leal, caso o setor continue aquecido e traga outras contribuições para a atividade econômica, é possível que o Estado finalize o ano com crescimento da ordem de 1%. Ele pondera que o mesmo não deverá ocorrer com a indústria – que “anda de lado nos últimos meses”.

“Não será possível contar com uma recuperação da produção industrial, mas a agropecuária com certeza vai trazer sua contribuição para a atividade econômica. A questão é como o setor vai compensar ou anular o marasmo da indústria da transformação. Mas, sobretudo, o que vai determinar o resultado do ano será o esgotamento ou não da recuperação do nível de atividade dos serviços – passado o pior momento da crise causada pela pandemia de Covid-19”, argumentou.

Eleições e inflação influenciam

O que também deverá influenciar no resultado é o período eleitoral e a inflação em patamares recordes. Sobre as eleições, o professor explicou que embora o período fomente a administração pública, os efeitos não deverão ser muito significativos. Já a curva inflacionária, segundo ele, vai cobrar um preço elevado na atividade econômica de todo o País.

“A maior parte do que temos observado de efeito negativo na indústria está relacionada à inflação, que está corroendo de maneira muito agressiva o poder de compra da população trabalhadora. Houve recuperação da fabricação de produtos alimentícios, mas a partir das exportações e não do mercado interno. A inflação vai continuar cobrando seu preço. Ela tem sido um dos motores da queda da demanda pelos bens de consumo e isso reflete o desempenho pífio da produção manufatureira”, afirmou.

Atividade econômica por setores

A produção de riquezas a partir da atividade econômica do Estado somou R$ 207,9 bilhões em valores correntes. Deste total, R$ 183 bilhões foram referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 24,9 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. Vale destacar que a agropecuária somou R$ 18,4 bilhões (10,1% do total), a indústria R$ 48,7 bilhões (26,6% do total) e os serviços R$ 115,9 bilhões (63,3% do total da atividade econômica).

Concluindo, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a agropecuária apurou queda de 1,5% e a indústria de 1%. O subsetor extrativo mineral registrou a maior baixa: -4,3%. Variação negativa também foi observada na indústria de transformação (-1,5%). O subsetor da construção civil (9,1%), por sua vez, teve sua quinta alta consecutiva.

Além disso, o subsetor de energia e saneamento (0,9%) reverteu a tendência negativa observada nos dois últimos trimestres. O valor adicionado dos serviços subiu 3,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. E as atividades que apresentaram alta foram: outros serviços (10,6%), administração pública (2,6%) e transportes (1,4%). A atividade de comércio (-0,6%) foi a única negativa.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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