Postos de combustíveis já repassam alta das distribuidoras mesmo sem reajuste da Petrobras
Os donos de postos de combustíveis já estão repassando aos consumidores os reajustes praticados pelas distribuidoras. De acordo com comunicado do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), entidade que representa o setor, o repasse já está acontecendo, embora a Petrobras ainda não tenha aumentado o valor de venda dos combustíveis.
A justificativa das distribuidoras é que, como parte dos combustíveis revendidos é importada, os preços estariam sendo impactados pelo conflito no Oriente Médio.
Com isso, os preços já começam a chegar mais altos aos consumidores à medida que os estoques dos postos são renovados com combustíveis mais caros. A situação é ainda pior em relação ao diesel, já que cerca de 30% do consumo nacional depende de importação.
É o caso do empresário Martinho Martins, da Rede Mais, de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Proprietário de cinco postos no Estado, tanto de bandeira branca quanto bandeirados, ele conta que um caminhão que seria descarregado nesta sexta-feira (6) em um dos postos que administra teve o pedido cancelado pela distribuidora, e o produto foi reoferecido com preço reajustado.
“A diferença no diesel é de R$ 0,60 a mais. A gasolina teve aumento um pouco menor, mas todas as distribuidoras já oferecem produtos com valores maiores”, afirmou.
Segundo o empresário, ele precisa fazer a compra nesta sexta-feira para não ficar desabastecido e não terá alternativa a não ser repassar o aumento ao consumidor. “Se eles aumentam, a gente tem que repassar. Senão, como é que a gente faz?”, indagou.
O especialista em combustíveis Vitor Sabag afirma que todas as redes já estão praticando preços mais elevados. Ele destaca que parte da pressão vem de refinarias privadas, como a da Bahia, que já anunciou dois reajustes em março, somando cerca de R$ 1 por litro no diesel, alta próxima de 20%, o que impacta diretamente o Norte de Minas, conforme o Diário do Comércio noticiou na última quarta-feira (4).
A situação vivida pelo empresário da Rede Mais, segundo o especialista, é generalizada. “No caso do diesel, o repasse já está acontecendo. Há grandes redes e postos independentes aumentando os preços e até com dificuldade para conseguir carregar combustível”, explica.
A afirmação confirma as informações divulgadas pelo Minaspetro. De acordo com a nota, as distribuidoras estariam restringindo a compra de combustíveis pelos postos. “Há relatos de revendedores de marca própria que estão com os estoques baixos”, diz o documento.
De acordo com a instituição, a situação é “grave”. Segundo a entidade, que representa os proprietários de postos e compara os preços internos com os internacionais, a defasagem no preço do diesel já alcança R$ 1,87 por litro em relação ao valor internacional. No caso da gasolina, a defasagem é de R$ 0,95. “Há chances claras de um reajuste relevante da Petrobras”, afirmou o Minaspetro.
Apesar de a Petrobras não ter anunciado reajuste nos preços, a situação desestimula a importação de diesel. “Hoje a diferença entre o diesel vendido pela Petrobras e o importado é muito grande. Quando isso acontece, não há incentivo para importar, e o mercado fica mais apertado”, analisa Sabag.
Na avaliação dele, a situação afeta especialmente postos sem bandeira, que dependem de distribuidoras sem rede própria. Em Minas, conforme o Minaspetro, os postos de marca própria respondem por 50% do mercado mineiro. “As distribuidoras bandeiradas priorizam atender seus postos credenciados. Quem mais sofre nesse cenário são os postos de marca própria, que têm mais dificuldade para encontrar produto”, completa.
Futuro incerto
Para Sabag, o cenário para os próximos meses ainda é incerto e dependerá principalmente de uma eventual decisão da Petrobras sobre os preços. “A diferença entre o preço da Petrobras e o preço internacional está chegando a patamares que eu não lembro de ter visto em 15 anos. Qualquer previsão depende de uma movimentação da estatal”, afirma.
Ele acrescenta que a decisão também envolve fatores políticos e econômicos: “É difícil prever um cenário futuro porque há também a questão política: até que ponto o governo vai querer reajustar o diesel em um ano eleitoral e em um momento de crise?”.
Procurada, a Petrobras ainda não se manifestou sobre a situação. O espaço segue aberto para atualização.
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