Preço do diesel sobe 13% em Minas após conflito no Oriente Médio, mostra ANP
O preço do diesel tem registrado forte alta nos postos de combustíveis de Minas Gerais desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, nesse período, o litro do diesel S10 subiu 13,2% no Estado.
Na semana anterior ao conflito, entre 22 e 27 de fevereiro, o combustível era vendido em média a R$ 5,95 por litro. Já na última semana pesquisada, de 8 a 14 de março, o valor médio passou para R$ 6,73, um aumento de R$ 0,78 por litro.
A escalada dos preços reflete a volatilidade do mercado internacional de petróleo após o agravamento das tensões no Oriente Médio. Desde o início do conflito, o barril chegou a registrar picos de alta de até 50%, superando os US$ 100 pela primeira vez em quatro anos.
Para conter esse avanço, o governo federal anunciou uma série de medidas para conter a alta do diesel. Entre elas estão um subsídio de R$ 0,32 por litro e o fim da cobrança de PIS/Cofins sobre o combustível, o que também representa uma redução de cerca de R$ 0,32 por litro para as distribuidoras, somando um alívio de R$ 0,64 nas bombas.
No entanto, um dia depois do anúncio, na sexta-feira (13), a Petrobras anunciou aumento de 11,6% no preço do diesel vendido às distribuidoras. O aumento representou um acréscimo de R$ 0,38 por litro, elevando o valor do combustível para R$ 3,65 por litro nas refinarias.
Na prática, as distribuidoras deixam de pagar R$ 0,32 em impostos, mas passam a desembolsar R$ 0,38 a mais pelo diesel vendido pela Petrobras, o que resulta em um custo adicional de cerca de R$ 0,06 por litro. O subsídio prometido pelo governo federal ainda aguarda regulamentação da ANP, que não foi publicada até o momento.
Para o especialista em combustíveis Vitor Sabag, o efeito das medidas acaba sendo neutralizado. Segundo ele, quando se considera a redução de impostos e o reajuste da Petrobras, “fica no zero a zero”.
Dessa forma, Sabag espera que a pesquisa de preços da ANP retrate, nas próximas semanas, um aumento ainda maior. “O aumento de R$ 0,38 por litro foi no diesel A. Quando fazemos o cálculo para a mistura do diesel S10, que é o diesel A mais o biodiesel, ele representa exatamente os R$ 0,32 anunciados. Ou seja, foi na risca”, comenta.
Sabag espera que, nas próximas semanas, o relatório de preços da ANP traga mais reflexos de reajustes. “Já estamos vendo alta com diferença de mais de R$ 1 por litro, e não apenas os R$ 0,78 já registrados pela agência. São aumentos que a ANP ainda não captou, pois 70% das coletas da pesquisa foram feitas até o dia 11 e, depois desse dia, tivemos aumentos ainda mais expressivos nos preços”, alerta.
Gasolina sobe em ritmo mais lento
O preço da gasolina também registrou alta, mas em menores proporções. De acordo com os dados da ANP, o preço médio do litro passou de R$ 6,07 para R$ 6,28 entre a semana anterior ao conflito e a última pesquisa no Estado, uma alta de 3,45%.
Segundo Vitor Sabag, a diferença ocorre porque o Brasil depende menos de importações para abastecer o mercado de gasolina do que o de diesel.
“O cenário da gasolina é bem diferente do diesel. O diesel está sofrendo mais com todo o cenário externo”, conclui.
Frete deve subir de 5% a 10% com alta do diesel
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antônio Luís da Silva Junior, que havia comemorado as ações do governo, já fala em repasse de 5% a 10% no preço do frete.
“O diesel representa 40% dos nossos custos, não temos muito o que fazer. O governo cortou os impostos, mas a Petrobras aumentou o preço do combustível. Vamos ter que repassar”, comenta.
O presidente do Setcemg, no entanto, acredita que a desordem e o abuso nos aumentos acabam prejudicando o setor. “Os aumentos estão desordenados e abusivos. Há postos que já aumentaram mais de R$ 1 por litro”, diz.
Segundo Silva Junior, não é só o combustível que está aumentando: há também altas no gás de cozinha e no etanol. “Isso vai acabar puxando a inflação”, finaliza.
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