Preço do minério dispara com a guerra na Ucrânia

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Preço do minério dispara com a guerra na Ucrânia
Crédito: Patrick Grosner

As consequências dos conflitos instalados no Leste europeu a partir da invasão russa à Ucrânia continuam impactando a cotação do minério de ferro no mercado internacional. Adicionalmente e também em virtude da guerra, a China – maior consumidor global da commodity – tem aumentado os estoques do insumo siderúrgico nas últimas semanas e estuda adotar medidas de estímulo econômico nos próximos meses. Os impactos nos preços já são contabilizados pelo mercado: valorização de 13,8% e alta de 33% no trimestre. Já no primeiro dia de abril, a tonelada chegou a US$ 150,84.

Especialistas ouvidos pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO afirmam que a tendência, no curto prazo, é de manutenção da alta. E que, de certa maneira, a oscilação tem surpreendido o mercado. Para a líder regional da XP Inc. em Minas Gerais, Jéssica Oliveira, o incremento tem se descolado dos fundamentos, pois os números recentes de produção de aço e importação de minério na China (e no mundo) não são tão positivos.

“Houve queda na produção de aço na China e na maioria dos países, o que refletiu na diminuição das importações de minério. Agora, o que vem impactando é a recuperação econômica destes países e a esperança de que a demanda por minério melhore daqui para frente, inclusive com o encerramento dos lockdowns em algumas cidades como Tangshan, uma das principais produtoras de aço daquele país”, explica.

Segundo a especialista, no curto prazo é difícil prever qual será o comportamento dos preços, principalmente porque, por se tratar de commodity, “há muito overreaction / underreaction”. “Qualquer notícia mais positiva já seria motivo de alta, e o contrário também é verdadeiro. Porém, no longo prazo, a expectativa é de que o preço caia para valores mais saudáveis. Nossa projeção é de uma cotação próxima a US$104 a tonelada no fim do ano”, completa.

O analista de investimentos da Mirae Asset Corretora Pedro Galdi, acredita que o movimento de alta dos preços do insumo siderúrgico deve continuar no curto prazo. Ele também avalia que, quando for encontrada uma solução para a guerra na Ucrânia, os preços das commodities possivelmente sofrerão ajustes para baixo. Mas pondera que visualizar um preço de minério de ferro a US$ 100/tonelada, no pós-guerra, seria aceitável.

“Muito desta alta observada até aqui reflete a crise do Leste europeu, mas temos como fator que minimizou um aumento ainda maior, a China, já que o país continua sendo o principal cliente das mineradoras brasileiras e do mundo. Aquele país passa por um movimento de desaceleração, afetado também por uma nova onda de Covid, que impôs novas restrições. O que podemos esperar é que o governo chinês aplique programas de estímulos para gerar melhora da economia e aumento da demanda”, diz.

Neste sentido, economistas do JPMorgan disseram, em nota, que, para sustentar a economia, Pequim deve lançar medidas políticas, incluindo apoio fiscal para projetos de infraestrutura, por meio de títulos especiais do governo local, e para o setor corporativo, por meio de reduções de impostos e taxas. Também são esperados cortes na taxa básica de juros e no índice de compulsório.

E isso já está movimentando o mercado, comenta o sócio da Belo Investment Research Paulino Oliveira. “O mercado se move na expectativa e responde muito rápido. Os anúncios de intervenções do governo chinês ocorreram na quarta-feira (30) e os efeitos seguiram no decorrer da semana. Temos que acompanhar de perto, pois os próximos passos da China vão continuar impactando na demanda e nos preços no curto prazo. Para um período mais longo, o que vai determinar é a expectativa sobre grandes construções e o déficit habitacional daquele país”, explica.

Por fim, o vice-presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Rowan Pedro de Araújo, analisa que o aquecimento da economia global e a recuperação das siderurgias e a construção civil da China – principalmente após a liberação de lockdowns em algumas cidades -, pressionam a movimentação da indústria de minério de ferro e siderúrgica. “A tendência é de alta nos preços devido ao aumento do consumo e a nítida recuperação da economia e de setores consumidores do mineral”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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