Prejuízo do polo moveleiro de Ubá após chuvas pode chegar a R$ 35 mi, diz Fiemg
O prejuízo das empresas de móveis afetadas direta ou indiretamente pelas fortes chuvas registradas em Ubá, na Zona da Mata mineira, no fim de fevereiro, pode chegar a R$ 35 milhões. As inundações atingiram bairros industriais do polo moveleiro, que é considerado um dos mais importantes do Brasil.
As informações foram divulgadas pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) nesta quarta-feira (4), com base em um levantamento emergencial realizado pelo Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind) nessa terça (3).
Segundo o relatório, os postos de trabalho de cerca de 2.847 trabalhadores em pelo menos 34 indústrias estão “potencialmente ameaçados” em função da paralisação total ou parcial das atividades produtivas. Essas, por sua vez, ocorreram após os alagamentos terem danificado estruturas, o que interrompeu operações e gerou prejuízos relevantes para empresas da região. Entre as empresas afetadas, 55% delas estão totalmente paradas.
“Em muitos casos, o prazo de retomada ainda é indefinido, o que amplia o nível de incerteza para o setor produtivo. Os danos incluem alagamento de galpões industriais, perda de estoques, comprometimento de máquinas e equipamentos, além de prejuízos à infraestrutura das empresas. As estimativas iniciais indicam perdas materiais mínimas de cerca de R$ 16 milhões, podendo ultrapassar R$ 35 milhões à medida que novas empresas concluam seus levantamentos internos”, informa o estudo.
O número varia porque, segundo o presidente do Intersind, Gilberto Coelho, a extensão dos danos ainda é apurada, e há pequenas empresas que ainda não conseguiram registrar suas ocorrências.
Economia regional sofre impactos
Além dos impactos que o problema gera para a indústria, a paralisação parcial do polo moveleiro afeta a economia regional em cadeia, incluindo fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio local, além de provocar redução na arrecadação tributária municipal e estadual, devido à queda no volume de produção e nas vendas.
“O impacto econômico é expressivo e não atingiu apenas o setor industrial. O comércio de Ubá também foi duramente afetado. Mais de 400 estabelecimentos foram invadidos pela água, muitos deles perderam praticamente tudo, o que gera reflexos diretos no emprego e na renda da economia local”, afirma Coelho.
Setor tem capacidade de reação
Apesar do cenário difícil, o sindicalista destaca a capacidade de reação do setor moveleiro local. “Por se tratar de um polo geograficamente pulverizado, nem todas as empresas foram afetadas. Atualmente, mais de 80% das indústrias já estão funcionando normalmente e seus colaboradores já retornaram às atividades, operando em plena capacidade. Isso demonstra a capacidade de reação do nosso polo e do nosso setor”, completa.
Mesmo assim, o dirigente defende que o momento exige união entre setor produtivo, poder público e sociedade. “É um momento desafiador, mas também de união e reconstrução do nosso polo e da nossa cidade. Tenho certeza de que, com o apoio dos governantes e a coragem dos nossos empreendedores, vamos superar esse momento e retomar plenamente nossa atividade”.
Fiemg tem apoiado a região
A presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Mariângela Marcon, destaca que a entidade atuou de forma imediata para apoiar a região. “A Fiemg realizou um diagnóstico técnico dos prejuízos e passou a articular, junto às instâncias estadual e federal, medidas que garantam segurança jurídica e fôlego financeiro às indústrias afetadas. Defendemos a prorrogação de prazos, suspensão de atos de cobrança e ampliação do acesso a crédito emergencial”, explica.
Além disso, segundo ela, a entidade mobilizou diferentes áreas internas para estruturar um plano de apoio às empresas atingidas. “Este momento exige sensibilidade, mas também responsabilidade institucional, pois a indústria é pilar do desenvolvimento. Proteger o setor produtivo é proteger empregos, renda e estabilidade econômica”, encerra.
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