Prévia da inflação sobe 0,23% em janeiro na Grande BH
O reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), definido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), afetou a prévia inflação da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a qual subiu 0,23% em janeiro, em comparação com dezembro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a variação acumulada dos últimos 12 meses na Grande BH foi de 4,09%.
O Confaz, formado por secretários de Fazenda de estados e representantes do governo federal, aprovou o aumento do ICMS, o que aumentou a gasolina em R$ 0,10 por litro. O diesel teve aumento de R$ 0,05 por litro, enquanto o gás de cozinha vai aumentar R$ 1,05 por botijão.
Essa mudança já afetou uma variação no preço médio da gasolina comum na Grande BH no início deste mês, quando passou de R$ 6,03 para R$ 6,33, uma variação de 4,91%, segundo pesquisa do MercadoMineiro. O etanol teve um aumento percentualmente maior no mesmo período, aumentando 5,12%, indo de R$ 4,48 para R$ 4,71.
O economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Paulo Casaca, aponta que o aumento de 3,65% nos combustíveis da capital mineira, maior variação entre as 12 regiões pesquisadas, foi um dos principais responsáveis pela alta da inflação.
Outros aumentos comuns no início do ano, como materiais de papelaria e custos relacionados à educação, também contribuíram para esse aumento da inflação.
“No início do ano a gente tem uns efeitos de inflação que prevalecem em relação a outros, como, por exemplo, reajuste de tarifa escolar, também com material escolar”, explica Casaca.
Transporte
A inflação poderia ser ainda maior, destaca Paulo Casaca, com o anúncio do prefeito Álvaro Damião (União Brasil), em meados de dezembro, sobre as viagens gratuitas aos domingos e feriados em Belo Horizonte.
O anúncio ocorreu próximo à nova tarifa de transporte municipal, que passou a vigorar em 1º de janeiro, com um aumento de 8,6%, saltando de R$ 5,75 para R$ 6,25.
Se analisar apenas o gasto com ônibus, foi registrada uma queda de 18,26%. Já se levar em conta também o custo do metrô, a variação cai para 10,36%.
Contudo, essa queda significativa não deve ser vista nos meses seguintes, já que as principais mudanças, como a gratuidade e o reajuste na tarifa, não devem ocorrer nos próximos meses. Por isso, futuras variações devem decorrer, principalmente, de mudanças nos preços dos combustíveis.
Chuvas e bandeira verde
A grande quantidade de chuvas que vem atingindo Belo Horizonte, abastecendo seus reservatórios, fez com que o Ministério de Minas e Energia adotasse a bandeira tarifária verde em janeiro deste ano. A energia elétrica residencial teve queda de 2,31%, ajudando a puxar uma redução na inflação do grupo de habitação (-0,13%).
Contudo, com o avançar do ano, a definição de quais bandeiras tarifárias serão aplicadas, decisão realizada mensalmente, deve fazer com que o custo da energia aumente.
“Se está na verde significa que está no patamar mais baixo, não tem mais espaço para queda no preço. Estamos num regime de chuvas, reservatórios estão subindo, então é comum a gente ver uma cobrança menor de energia elétrica. Nos próximos meses, fevereiro, março, abril e maio, a gente vai ver de novo a bandeira voltar para amarela, depois vermelha e, no auge da seca do inverno, para vermelha dois”, afirma Casaca.
Alimentação apresentou maior aumento
Dentre os nove grupos pesquisados, alimentação e bebidas foi um dos que tiveram maior aumento na Grande BH, segundo o IPCA-15. A variação de 0,50% foi puxada, principalmente, pelo aumento de 10,24% nos tubérculos, raízes e legumes, como cenoura, batata e alface.
Pescados (2,28%), frutas (1,90%) e carnes (1,67%) também pressionaram a inflação para cima. Óleos e gorduras (-4,51%), cereais (-2,93%) e leite (-1,29%) se destacaram entre os que tiveram redução.
A variação só foi maior nos grupos de comunicação (0,97%) e de saúde e cuidados pessoais (0,87%), sendo que aumento em itens de ótica e de higiene pessoal foram os grandes responsáveis pela alta deste último.
Ouça a rádio de Minas