Minas Gerais registra alta expressiva na produção industrial, enquanto o Brasil recua
A produção industrial de Minas Gerais subiu de forma expressiva em novembro de 2025 frente ao mesmo período de 2024. O crescimento foi de 5,1%, o segundo maior entre as unidades da Federação, atrás apenas do Espírito Santo (36,8%). O segmento extrativo puxou o resultado, com forte avanço de 22,9%, enquanto o de transformação retraiu 1,1%.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que, diferentemente do que ocorreu no Estado, a variação do Brasil ficou negativa (-1,2%).
O economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Italo Spinelli, esclarece o motivo para o contraste entre o desempenho mineiro e o nacional.
Conforme ele, a diferença tem relação com o peso do minério de ferro na indústria extrativa, que é bem maior em Minas Gerais. O produto foi, justamente, o que exerceu a principal influência para o relevante resultado do segmento no Estado.
No País, o segmento extrativo também apresentou expansão, mas menos intensa (4,6%). Nacionalmente, a composição está mais associada à produção de óleos brutos de petróleo.
Sobre a indústria de transformação, o recuo observado em Minas Gerais decorreu, principalmente, das contribuições negativas de produtos químicos (-19,2%), derivados de petróleo e biocombustíveis (-6,7%) e máquinas e equipamentos (-22,8%). O desempenho desse segmento não foi pior porque apresentaram avanços, por exemplo, as atividades de metalurgia (11,2%) e de celulose, papel e produtos de papel (56,6%).
Quarto avanço consecutivo na comparação mensal
Assim como na comparação interanual, a produção industrial de Minas Gerais cresceu no confronto de novembro. A variação foi de 0,9%, o quarto avanço mensal consecutivo e o quinto maior desempenho entre as unidades federativas. No Brasil, houve estabilidade.
Novamente, a indústria extrativa motivou o desempenho do setor no Estado, com aumento de 3,4%. O segmento de transformação, por outro lado, recuou 0,5%.
Crescimento acumulado e perspectivas para o setor
Ainda segundo a pesquisa do IBGE, no acumulado de janeiro até novembro de 2025, frente ao mesmo intervalo de 2024, a produção industrial de Minas Gerais subiu 1,2%. Foi a sétima maior variação positiva entre as unidades da Federação. O Brasil teve alta de 0,6%.
Nesse caso, tanto o segmento extrativo, que expandiu 2,2%, quanto o de transformação, com crescimento de 0,8%, contribuíram para a performance do Estado. No âmbito da indústria de transformação, oito atividades avançaram, com destaque para veículos automotores (12,6%), metalurgia (2,8%) e produtos alimentícios (1,7%).
Para o economista da Fiemg, o crescimento da produção da indústria mineira no fechamento de 2025 deve ficar entre 1% e 1,2%, percentual superior ao esperado para o País. Pelos últimos resultados da PIM, Spinelli prevê uma alta nacional de 0,8%.
Ao olhar para 2026, ele ressalta que ainda é cedo para fazer uma projeção do desempenho. Contudo, a perspectiva é que a taxa de juros, principal gargalo do ano passado, comece a cair ao longo do ano, estimulando o avanço produtivo.
“Apesar de ser cedo, a gente acredita que alguns setores que estão em trajetória positiva continuem, como a própria indústria extrativa, a de veículos e a metalurgia. E a torcida é para que os setores que não estão performando bem possam voltar a performar, como o de produtos químicos e o de biocombustíveis, que tiveram quedas consideráveis”, destaca Spinelli.
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