Projeto de grafite no Jequitinhonha cresce 124% e mira mercado nuclear
O Vale do Jequitinhonha pode se tornar o primeiro polo do País a abrigar uma produção de grafite de pureza nuclear. Atenta ao potencial da matéria-prima, a Atlas Critical Minerals anunciou a expansão do projeto que lidera na região, formando um corredor mineral de 11 quilômetros (km) de extensão, uma ampliação de 124% a partir do novo direito mineral.
A unidade mineira apresenta amostras de superfície com teores de até 19,4% de carbono grafítico e concentrado já validado com pureza 5N – o patamar mais elevado registrado no mundo – com o produto podendo ser cotado a US$ 30 mil por tonelada. Com isso, o projeto tende a se tornar o maior de grafite em desenvolvimento no Brasil.
As informações foram reveladas pelo CEO da Atlas, Marc Fogassa. A expectativa é que o empreendimento formalize o Plano de Aproveitamento Econômico (PAE) até o fim do ano e atinja plena capacidade operacional entre 2028 e 2029.

De acordo com o executivo, após nove meses de negociação, mais uma área foi adquirida para mineração de grafite, conectando aos ativos já existentes, totalizando três direitos minerais combinados, que juntos somam aproximadamente 2.822 hectares. “Estamos bem entusiasmados. A sondagem deve começar ainda este ano, entre maio e junho. Depois disso, o processo leva alguns meses e esperamos ter um relatório de recursos que permita avançar”, pontua.
Desde as primeiras aquisições de terreno, a companhia segue direcionando esforços para pesquisas e análises que comprovem a qualidade do grafite extraído em solo mineiro. “Levamos uma amostra a um laboratório de referência global, que constatou um grau de pureza compatível com uso nuclear. Foi o único grafite no Brasil com essa classificação identificado pelo laboratório”, destaca o Fogassa.
A constatação foi crucial para a ampliação do corredor mineral no Vale do Jequitinhonha, com potencial de abrir portas para o mercado nuclear, que deve crescer exponencialmente nos próximos anos no Brasil e no mundo. O executivo explica que, com a ampliação do uso de inteligência artificial (IA), torna-se necessária a ampliação da disponibilidade de energia e os reatores nucleares de pequeno porte e modulares surgem como uma das principais soluções, especialmente para países com limitações de recursos naturais.
Grafite é estratégico para energia e mobilidade elétrica
No Brasil, a indústria nuclear também deve ganhar espaço nos próximos anos. “Estamos no aguardo de um decreto que permita a exploração nuclear em colaboração com entidades privadas. O governo tem olhado o tema com atenção e a expectativa é que a medida saia nos próximos meses”, avalia o CEO.
A norma federal é considerada um importante passo para o desenvolvimento da indústria nuclear, com capital privado ajudando a ampliar a capacidade de geração de energia do Brasil. Se concretizada e aplicada com sucesso, a companhia, bem como a planta no Vale do Jequitinhonha, tende a se consolidar como fornecedora de grafite de alta pureza para as instalações.
Além do mercado nuclear, a empresa já se prepara para atender ao fornecimento de matéria-prima para baterias de carros elétricos, que exigem grafite com 96% de pureza. O segmento, embora concentre menor valor por tonelada, possui maior demanda a nível em função da ampla adoção de veículos eletrificados, que em países como a China, já correspondem por 50% da comercialização total.
“É uma área que aparenta ter potencial para mineração a céu aberto, o que torna a operação muito mais simples. Além disso, é uma região sem parques ambientais ou outros impedimentos relevantes, o que facilita o desenvolvimento do projeto. A expectativa é gerar muitos empregos e posicionar o Brasil na produção de concentrado de grafite para uso nuclear”, detalha Fogassa.
Portfólio da Atlas é voltado à transição energética
A Atlas Critical Minerals é uma empresa voltada à exploração de minerais estratégicos no Brasil, com foco em insumos considerados essenciais para a transição energética e para setores de alta tecnologia, como grafite, terras raras, titânio e urânio. A companhia tem origem no mesmo grupo da Atlas Lithium, que mantém participação relevante na empresa.
Enquanto a Atlas Lithium concentra seus projetos no lítio, especialmente no Vale do Jequitinhonha, a Atlas Critical Minerals atua na prospecção e desenvolvimento de outros minerais críticos, como o grafite, buscando ampliar o portfólio de recursos no Brasil.
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