Economia

Setor de construção pesada de Minas projeta crescimento com obras rodoviárias e saneamento

Investimentos previstos em contratos de concessão de rodovias e projetos de saneamento a partir deste ano geram otimismo no setor
Setor de construção pesada de Minas projeta crescimento com obras rodoviárias e saneamento
Foto: Reprodução Adobe Stock

Com um pipeline robusto de projetos privados, impulsionado sobretudo pelas concessões rodoviárias, mas também pelo Marco do Saneamento, o setor de construção pesada de Minas Gerais está otimista para o futuro, embora faça ressalvas quanto à necessidade de garantias para os investimentos públicos em infraestrutura e de aportes maiores.

Em 2025, o setor teve um ano mais de transição do que de crescimento, porque as grandes obras previstas em contratos de concessão de rodovias ainda não se iniciaram. Porém, a partir do segundo semestre de 2026, os investimentos obrigatórios em ampliação de capacidade vão começar, o que traz boas perspectivas para a construção pesada mineira.

Diante desse cenário e dos projetos voltados para a universalização dos serviços de saneamento, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Bruno Ligório, acredita que o setor terá bons anos pela frente, com destaque para o atual exercício e para 2027. Apesar do otimismo, o dirigente chama atenção para os investimentos públicos estarem aquém do ideal e da falta de previsibilidade.

Bruno Ligório
O presidente do Sicepot-MG, Bruno Ligório, cobra mais investimentos públicos | Foto: Divulgação Sicepot-MG

Conforme Ligório, nos últimos anos, o governo do Estado elevou o nível de investimentos em infraestrutura, principalmente rodoviária, mas o volume ainda está longe do que é necessário e inferior ao que se investia em um passado mais distante. Segundo ele, a situação do governo do Brasil é parecida, com aportes bem menores do que se espera.

O presidente do Sicepot analisa que, em 2026, os investimentos tanto do governo de Minas Gerais quanto do Executivo federal tendem a aumentar. No primeiro caso, a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) vai abrir espaço no orçamento. No outro, por ser ano eleitoral, mais recursos devem ser liberados para obras.

Nesse contexto, ele afirma que o desafio é manter os níveis de investimentos públicos nos anos seguintes. O executivo ressalta que o Estado precisa pensar como garantir investimentos de forma estruturada e permanente. Do mesmo modo, o País deve focar em assegurar aportes para todos os anos, não apenas para os períodos em que ocorrem eleições.

“O setor está otimista. Teremos bons investimentos pela frente, mas precisamos ter atenção com os investimentos públicos. Precisamos realmente conseguir espaço no orçamento público para investir em infraestrutura, porque o investimento em infraestrutura volta para a cadeia produtiva, gera competitividade para as nossas indústrias, aumenta a segurança nas estradas e reduz o custo da saúde com acidentes de trânsito”, pondera.

Taxa de juros impõe dificuldades ao setor

A indústria da construção pesada de Minas Gerais não vem sofrendo com falta de insumos. Os preços dos materiais também não estão impondo problemas, já que seguem em níveis estáveis, subindo conforme os índices inflacionários. Ligório afirma, contudo, que a elevada taxa de juros tem impedido o setor de investir em novas máquinas e equipamentos.

“Com esse nível de taxa de juros anuais que temos hoje, inibe muito, porque as margens ainda estão muito comprimidas. Por isso, as empresas preferem, muitas vezes, não investir no parque de máquinas e equipamentos”, diz.

Ligório salienta que é preciso que a taxa caia para fomentar os investimentos das empresas tanto na renovação da frota quanto na ampliação da capacidade operacional. Conforme ele, o Sicepot trabalha com a perspectiva de queda dos juros ao longo de 2026 e de 2027 e um período de estabilidade posteriormente, algo que seria positivo não somente para a construção pesada, mas para o setor produtivo em geral.

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