Economia

Queda nas vendas do varejo em Minas alcança 2,5%

Percentual refere-se a dezembro de 2025 em comparação com o mesmo mês do ano anterior; Estado acompanhou tendência de boa parte do País
Queda nas vendas do varejo em Minas alcança 2,5%
Baixa no varejo mineiro já vinha ocorrendo nos dois meses anteriores a dezembro, segundo IVS | Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

As vendas no varejo em Minas Gerais tiveram queda de 2,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2024. O levantamento é da 36ª edição do Índice do Varejo Stone (IVS), ferramenta que monitora o desempenho de comércios de clientes da fintech Stone e cruza com informações públicas.

Um dos principais pontos mencionados como justificativa é a alta taxa básica de juros (Selic), que encerrou o ano de 2025 fixada em 15% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

“A principal diferença foi a piora das condições financeiras ao longo de 2025, sobretudo no segundo semestre, que acabou superando o suporte vindo do mercado de trabalho. Mesmo com desemprego em mínima histórica e renda ainda sustentada, os juros reais elevados, o crédito mais caro e mais restrito, e um nível alto de endividamento e comprometimento de renda com dívida, pressionaram o consumo de bens e tiraram tração do varejo. Em paralelo, a inflação, especialmente em serviços, seguiu resiliente e não abriu espaço para um ciclo de queda de juros, prolongando esse ambiente restritivo”, afirmou o economista da Stone, Guilherme Freitas.

Minas Gerais acompanhou a tendência de boa parte dos estados do País, já que apenas os estados do Piauí (2,3%), Alagoas (1,2%) e Rondônia (1,1%) apresentaram crescimento com base no índice. Entre os Estados da região sudeste, apenas São Paulo teve números melhores, com queda de 1,8%.

A queda no varejo mineiro já vinha ocorrendo nos dois meses anteriores a dezembro, segundo o levantamento, o cenário foi afetado por um ritmo mais lento nas contratações de trabalho formal, o que afetou o consumo do período, ressaltou Freitas.

“O 4º trimestre foi o ponto em que o encarecimento do crédito e o maior comprometimento da renda com o serviço da dívida parecem ter pesado mais sobre decisões de compra, especialmente em bens de maior valor, que dependem mais de financiamento”, explicou.

A expectativa do economista é de que o cenário para o início de 2026 seja “ainda com viés de fraqueza ou, no melhor cenário, de estabilidade em nível baixo”, já que as situações que enfraqueceram a atividade no final do ano passado seguem presentes, como juros elevado, crédito limitado, alto endividamento e inflação de serviços.

“A melhora mais consistente dependerá de uma combinação de desaceleração mais clara da inflação, especialmente serviços, e de relaxamento gradual do aperto monetário, com algum destravamento do crédito, que ajudaria especialmente o consumo de bens de maior valor agregado, como móveis e eletrodomésticos”, avaliou.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), levantados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), apontam, em Belo Horizonte, uma ligeira queda no número de endividamento de 0,5 ponto percentual em dezembro de 2025, em comparação com novembro do mesmo ano.

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