Queda no preço da gasolina nas refinarias não chega ao consumidor mineiro
Conforme previsto pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), a redução aplicada pela Petrobras nos preços de venda de gasolina para as distribuidoras no fim de janeiro refletiu pouco ou quase nada para os motoristas.
O corte da Petrobras de 5,2%, totalizando uma queda de R$ 0,14 por litro, no dia 27 de janeiro, acabou não impactando o preço nas bombas, ainda em função do alto preço do etanol anidro, que compõe 30% do combustível fóssil comercializado nos postos entre motivos apontados por especialistas.
Enquanto há um mês a gasolina comum era vendida, em média, em Minas Gerais a R$ 6,18 o litro, na última semana, o valor caiu para R$ 6,16, uma redução de 0,32%. Já a gasolina aditivada, passou de R$ 6,43 para R$ 6,42 o valor médio do litro, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Segundo o Minaspetro, desde o início de 2026, o combustível derivado da cana subiu R$ 0,19 nas usinas produtoras. “O produto é responsável, atualmente, por R$ 1,06 do preço final da gasolina. O aumento em três pontos percentuais de anidro na gasolina, em agosto do ano passado, tem claros benefícios ambientais. No entanto, causa uma consequência comercial, com os reajustes da estatal tendo cada vez menos influência no valor de bomba”, destaca a nota.
A entidade aponta ainda que o impacto final, levando em conta os 30% de mistura, é de R$ 0,09 no litro, já que o etanol segue pressionando os custos do combustível.
Desde o início do ano, o setor também enfrenta consequências do reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre combustíveis. No preço da gasolina, os novos valores fixos praticados pelas distribuidoras passaram por aumento de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57, um acréscimo de 6,8%.
O economista e docente da Uni-BH, Fernando Sette Júnior, comenta que os motivos apontados pela Minaspetro fazem sentido, mas não são os únicos e acrescenta elementos estruturais. Segundo ele, o ICMS interfere no preço e há custos de logística, distribuição e revenda, que variam por região, e que podem segurar essas reduções por algum tempo.
Sette Junior ressalta ainda que o mercado também funciona com estoques. “O posto não repassa imediatamente um corte se ainda está vendendo combustível comprado mais caro. Quando vários componentes sobem ao mesmo tempo, a redução da Petrobras vira só um amortecedor, não uma queda real perceptível para o consumidor”, diz.
Na mesma linha, o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, pontua que para haver o repasse é preciso tempo: “ele não é imediato”.
Segundo ele, o tempo para que essa defasagem seja sentida na integralidade depende em grande medida do volume de estoques. “A medida que esses estoques vão sendo normalizados e reduzidos, os novos produtos já vem com preços reduzidos e o motorista passa a sentir mais essa redução”, ressalta.
Silva acrescenta que existe a expectativa de que esse efeito aumente nas próximas semanas à medida em que os estoques a preços mais caros vão se esgotando. “E nós temos que pensar não só no estoque do posto, mas também o estoque que existe ao longo de toda a cadeia e que foi um estoque construído a um preço maior preço médio maior”, completa.
O economista acredita ainda que esses estoques vão ser reduzidos nas próximas semanas. ” E a gente deve observar ainda uma redução pequena no preço de combustível, nada que se compare ao nível de redução aplicado pela Petrobras nas refinarias”, finaliza.
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