Regap mantém produção estável em 2025, mas reduz volume de diesel S10
A Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), produziu 8,4 milhões de metros cúbicos (m³) de derivados de petróleo até novembro de 2025, mantendo a produção estável em relação ao ano anterior, com leve alta de 0,5%. No entanto, a produção de óleo diesel S10 recuou 7% no mesmo período, seguindo uma tendência nacional.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção acumulada de óleo diesel S10, utilizado em caminhões, ônibus e motores, passou de 2,65 milhões de m³ em 2024 para 2,46 milhões de m³ em 2025 na refinaria de Betim. Em todo o País, a queda foi ainda maior: 8,5%.
A redução se deu no mesmo ano em que a Regap registrou um mês de produção recorde: em agosto, foram produzidos 244,29 mil m³ de óleo diesel S10. Recordes anteriores haviam sido registrados em agosto de 2024, quando a produção atingiu 243,5 mil metros cúbicos (m³), e em maio de 2023, quando a Regap produziu 241,2 mil m³.
Quando observado o volume de óleo diesel de todos os tipos, que inclui também o óleo diesel S500, a produção segue estável, com variação negativa inferior a 0,1%, o equivalente a 27,4 mil m³ a menos.
A desaceleração da economia e a acomodação da demanda são fatores que podem explicar, em parte, a queda da produção. Embora o diesel siga como principal combustível do transporte de cargas, a desaceleração no crescimento do consumo observada em 2025, atrelada ao maior uso de biocombustíveis na mistura obrigatória, reduzindo a necessidade de diesel mineral, pode ter contribuído para a redução da produção.
Em agosto de 2025, entraram em vigor os novos percentuais de biocombustíveis nos combustíveis fósseis, conforme decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Na ocasião, o percentual de biodiesel na composição do diesel passou de 14% para 15%.
A tendência de ampliação do uso de biocombustíveis está nos planos estratégicos da Petrobras. Com o objetivo de manter a relevância como fornecedora de energia primária para o Brasil, hoje com participação de 31% na matriz de energia primária, a empresa planeja expandir o fornecimento de energia de acordo com o crescimento da demanda nacional.
Conforme anunciado, a empresa prevê aportes de US$ 15 bilhões em transição energética até 2029, sendo que US$ 3 bilhões serão aplicados já em 2026. Em entrevista ao Diário do Comércio em novembro de 2025, a presidente da estatal, Magda Chambriard, ressaltou o papel relevante da Regap para a Petrobras.
Segundo ela, a refinaria desempenha papel crucial na economia brasileira, sendo responsável por 9% de toda a demanda de derivados de combustíveis líquidos do País.
Na ocasião, a presidente da estatal afirmou ainda que a refinaria está na vanguarda da produção de combustíveis mais sustentáveis e que a unidade estaria pronta para esse tipo de produção, já que os testes para a produção de diesel coprocessado com 5% a 10% de combustível renovável foram concluídos.
A expectativa é que, a partir de 2026, a Regap inicie a produção contínua de Combustível Sustentável de Aviação (SAF).
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