Renda mínima necessária para financiamento de imóveis em BH é de R$ 12 mil, aponta Loft
A renda mensal necessária para quem pretende financiar um imóvel em Belo Horizonte varia entre R$ 12 mil e mais de R$ 61 mil, dependendo do bairro e do valor do imóvel. É o que mostra levantamento realizado pela empresa de tecnologia Loft. A simulação considera financiamento de 80% do valor, prazo de 420 meses e condições médias de crédito praticadas atualmente pelos bancos privados.
De acordo com o estudo, a renda mínima exigida apresenta grande variação entre os bairros com mais transações recentes na Capital, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
O comprador que deseja adquirir um imóvel típico nos bairros de Lourdes, Savassi e Serra, todos na região Centro-Sul, precisa comprovar renda entre R$ 37 mil e R$ 52 mil mensais para financiamento. Já em bairros como Santa Mônica, na região de Venda Nova, Centro e Planalto, na região Norte, a renda mínima estimada pode ficar entre R$ 12 mil e R$ 15 mil por mês.
Confira as condições de financiamento nos bairros de Belo Horizonte com mais transações de compra e venda:
- Buritis (226 transações): primeira prestação de R$ 7.129, renda mínima de R$ 25.539 e tíquete médio de R$ 776.144.
- Castelo (138 transações): primeira prestação de R$ 6.087, renda mínima de R$ 21.820 e tíquete médio de R$ 662.715.
- Santo Antônio (117 transações): primeira prestação de R$ 8.228, renda mínima de R$ 29.463 e tíquete médio de R$ 895.825.
- Lourdes (112 transações): primeira prestação de R$ 14.419, renda mínima de R$ 51.566 e tíquete médio de R$ 1.569.875.
- Sagrada Família (104 transações): primeira prestação de R$ 5.248, renda mínima de R$ 18.824 e tíquete médio de R$ 571.368.
- Serra (101 transações): primeira prestação de R$ 10.477, renda mínima de R$ 37.492 e tíquete médio de R$ 1.140.664.
O gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, destaca que, assim como em outras grandes capitais brasileiras, Belo Horizonte reúne bairros com perfis imobiliários muito diferentes e exigências bastante distintas para quem busca crédito imobiliário.
O estudo também analisou bairros com os maiores tíquetes médios da cidade, onde o valor do financiamento exige renda mais elevada.
Cenário nos bairros mais caros

Em regiões de alto padrão, como Santa Lúcia, Funcionários e Lourdes, na região Centro-Sul, a renda mínima necessária para aprovação do crédito pode variar entre R$ 51 mil e mais de R$ 61 mil mensais, refletindo imóveis com tíquete médio entre R$ 1,57 milhão e R$ 1,88 milhão.
Takahashi explica que, nos bairros de alto padrão, o valor elevado dos imóveis faz com que muitos compradores utilizem mais recursos próprios ou reduzam o valor financiado. “Já em bairros intermediários, o crédito imobiliário tende a ser o principal instrumento para viabilizar a compra”, acrescenta.
Confira as condições de financiamento nos bairros de Belo Horizonte com maiores tíquetes médios:
- Santa Lúcia: tíquete médio de R$ 1.876.481, primeira prestação de R$ 17.235 e renda mínima de R$ 61.620.
- Funcionários: tíquete médio de R$ 1.876.481, primeira prestação de R$ 15.337 e renda mínima de R$ 54.845.
- Lourdes: tíquete médio de R$ 1.569.875, primeira prestação de R$ 14.419 e renda mínima de R$ 51.566.
- Savassi: tíquete médio de R$ 1.257.063, primeira prestação de R$ 11.546 e renda mínima de R$ 41.309.
- Anchieta: tíquete médio de R$ 1.241.109, primeira prestação de R$ 11.399 e renda mínima de R$ 40.786.
- Santo Agostinho: tíquete médio de R$ 1.141.876, primeira prestação de R$ 10.488 e renda mínima de R$ 37.532.
- Serra: tíquete médio de R$ 1.140.664, primeira prestação de R$ 10.477 e renda mínima de R$ 37.492.
- Gutierrez: tíquete médio de R$ 1.111.870, primeira prestação de R$ 10.212 e renda mínima de R$ 36.548.
- Luxemburgo: tíquete médio de R$ 1.109.937, primeira prestação de R$ 10.194 e renda mínima de R$ 36.484.
- Sion: tíquete médio de R$ 1.006.184, primeira prestação de R$ 9.241 e renda mínima de R$ 33.082.
Quanto às condições atuais de financiamento, é possível observar reflexo do ambiente de juros mais elevados. A taxa básica de juros, a Selic, permanece próxima de 15% ao ano (a.a.), patamar que influencia diretamente o custo do crédito imobiliário.
Segundo o gerente de dados, mesmo em um cenário de eventual queda da Selic ao longo deste ano, as condições de financiamento não tendem a mudar imediatamente. Ele pontua que o mercado de crédito imobiliário costuma reagir com defasagem às mudanças na taxa.
“Mesmo que a taxa básica comece a cair nos próximos meses, as condições de financiamento observadas neste início de 2026 tendem a persistir por algum tempo, até que os bancos ajustem suas taxas e políticas de crédito”, avalia.
O levantamento da Loft mostra as condições atuais de financiamento na capital mineira com base nos preços médios de transações imobiliárias e nas condições praticadas pelos principais bancos privados. Os valores mostram a situação geral na região, mas as condições reais variam de acordo com o perfil do comprador e a avaliação específica dos bancos.
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