Renegociação de dívidas é prioridade, diz Grupo Pão de Açúcar
São Paulo – O CEO do Grupo Pão de Açúcar afirmou na quarta-feira (25) que a renegociação de dívidas e contratos é prioridade da companhia. Segundo Alexandre Santoro, o GPA passa por uma mudança estrutural e não deve mais tomar decisões desconectadas de sua realidade operacional.
No balanço do quarto trimestre, divulgado na terça-feira (24) após o fechamento do mercado, a empresa quinta maior rede de varejo alimentar do País registrou déficit de R$ 1,2 bilhão no capital circulante líquido (recursos para obrigações de curto prazo) em 31 de dezembro de 2025. O resultado decorre principalmente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026, que somam R$ 1,7 bilhão.
A companhia também informou haver “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre sua continuidade operacional”, conforme notas explicativas do balanço. O GPA teve prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, 48,2% menor que o registrado um ano antes, mas acima das estimativas do mercado. Analistas projetavam prejuízo de R$ 134 milhões, segundo dados da LSEG.
De acordo com Santoro, a empresa está renegociando contratos cujo escopo já não condiz com a realidade atual. Ele citou a revisão de gastos com prestadores de serviços e do formato de minimercado, além da desativação de imóveis que estavam sem operação, mas ainda geravam custos.
“Ainda assim, é necessário equalizar o passivo, que envolve dívida financeira, passivo fiscal cuja resolução é mais difícil de prever e passivo trabalhista. As negociações estão em curso, em fase relevante, e trabalhamos junto aos credores e ao conselho para chegar a uma conclusão”, disse.
Para Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, o descompasso entre ativos e passivos de curto prazo evidencia a dependência de renegociações, refinanciamentos e até de geração adicional de caixa para honrar os compromissos. “O resultado financeiro mostra a empresa consumindo uma parcela expressiva da geração de caixa, o que levanta questionamentos sobre o futuro da companhia”, afirma.
No terceiro trimestre de 2025, o GPA concluiu a segunda etapa de um processo de simplificação administrativa, que resultou no corte de 700 postos de trabalho. Segundo a apresentação do balanço, o plano de eficiência prevê uma redução de R$ 415 milhões em gastos em 2026, o equivalente a 11% das despesas de R$ 3,6 bilhões registradas em 2025.
De acordo com a empresa, mais de 80% desse montante já está mapeado, com início da captura previsto a partir do primeiro trimestre deste ano.
Na coletiva, Santoro afirmou que o fechamento de lojas é o “último recurso”, mas que a companhia adota medidas para tornar a operação mais rentável. O GPA reavalia sua distribuição geográfica para priorizar investimentos em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Para Virgílio Lage, da Valor Investimentos, as perspectivas da empresa estão atreladas ao processo de reestruturação. “Ganho de eficiência, controle de despesas e eventual benefício do ciclo de queda de juros podem favorecer o GPA. A principal questão para o investidor é se a gestão conseguirá expandir margens de forma consistente e tornar o fluxo de caixa estruturalmente positivo. Sem isso, o mercado tende a manter desconto relevante no papel”, afirmou.
Na terça-feira (24), antes da divulgação do balanço, as ações da empresa subiram 3,98%. Na quarta-feira, os papéis caíram até 9,58%, cotados a R$ 2,83, na mínima do pregão, liderando as perdas do Ibovespa.
Reportagem distribuída pela Folhapress
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