Roubo de carga: Minas ocupa 3º lugar, e BR-381 lidera ocorrências
Apesar de uma queda observada do roubo de carga na região Sudeste, Minas Gerais segue no terceiro lugar no ranking geral de prejuízos no País. A BR-381 é a rodovia onde esse tipo de crime mais acontece. Os dados estão no relatório da Nstech, empresa de software que atua no ramo da logística.
De acordo com o levantamento, ao longo de 2025, houve uma mudança geográfica na distribuição dos prejuízos com roubo de carga no Brasil. A região Sudeste, que concentrava a maioria dos prejuízos (83,2%) durante 2024, teve sua participação reduzida para 68,1% em 2025. Apesar da queda de 15,1 pontos percentuais, ela segue como a região mais crítica.
Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro dominam o cenário de risco, com 44,2% e 37% dos prejuízos na região, respectivamente, evidenciando que o problema está fortemente ligado aos maiores hubs logísticos, industriais e consumidores do País.
Minas Gerais, ocupa o terceiro lugar neste ranking, e teve as cargas fracionadas (49,5%) e os alimentos (7,9%) como os principais alvos em 2025. Chama atenção a investida das quadrilhas que tem atuado mais aos domingos no Estado. De acordo com o relatório, este dia da semana representou a fatia de 49,5% dos prejuízos, sendo o período da tarde (40,5%) com a maior quantidade de registro.
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato, explica que nos domingos é quando os caminhões estão carregados para fazerem as entregas na segunda-feira. “Por isso eles roubam muito aos domingos. As empresas já deixam os caminhões carregados”, diz.
Quando analisada as rotas do Estado, o relatório mostra que os principais locais de atuação das quadrilhas, ao menos nas informações apuradas pelas gerenciadoras de risco que integram o ecossistema da companhia, foram BR-381 (36%), BR- 452 (18,3%), BR-040 (14,6%), BR-153 (11,7%) e BR-262 (6,6%).
O presidente da Fetcemg, adiciona na lista das BR’s mais preocupantes a BR-050 e explica que ao longo dos anos, de certa forma, as características sobre roubo no Estado se mantêm no padrão. Mas acrescenta que, no ano passado, as cargas de café chamaram atenção dos criminosos. “Com os valores que o café chegou no ano passado, as cargas viraram alvo também”, completou.
Lobato acrescenta ainda que as cargas de cigarro e de combustíveis ainda continuam sendo um grande problema nas rodovias mineiras. “Por causa da fábrica da Souza Cruz, em Uberlândia, o Triângulo [Mineiro] também possui forte incidência de roubo”, diz.
Região Norte é novo foco dos bandidos
Apesar da região Sudeste continuar como uma localidade crítica, os dados mostraram uma mudança no mapa do crime: enquanto o Nordeste se consolidou como a segunda região mais impactada, a região Norte entrou no radar.
A participação da região Nordeste manteve-se praticamente estável (12,2% em 2024 para 12,8% em 2025), conforme os dados, no entanto, observou-se que há um deslocamento geográfico do crime que demanda atenção imediata.
O relatório sugere que rotas e operações que antes eram consideradas de menor risco, precisam ganhar mais atenção, já que a região saltou de 0,9% para 11,2%, entre 2024 e 2025, entrando no terceiro lugar no ranking das regiões.
É o caso da rota que liga Minas ao Pará. Segundo o relatório, as abordagens dos criminosos privilegiam trechos estratégicos que servem como rotas de longa distância. “Sozinha a rota que liga Minas Gerais ao Pará, respondeu por 55% das perdas na região Norte”, informa o relatório.
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