Economia

Setor empresarial manifesta preocupação com redução da jornada e ACEJF envia carta a deputados federais

Pauta sobre o fim da escala 6x1 está caminhando no Congresso Nacional
Setor empresarial manifesta preocupação com redução da jornada e ACEJF envia carta a deputados federais
Está em tramitação na Câmara dos Deputados propostas para o fim da escala 6x1 e todos os parlamentares receberam documento da ACEJF solicitando estudo técnicos aprofundados e discussões mais amplas sobre o assunto | Foto: Divulgação Câmara dos Deputados

As propostas que sugerem o fim da escala 6×1 tramitam na Câmara dos Deputados e têm gerado alerta entre representantes do setor produtivo, que apontam potenciais efeitos da medida sobre custos operacionais dos negócios. Elas foram encaminhadas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reúnem projetos apresentados por deputados de diferentes partidos.

Diante desse cenário, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (ACEJF), Aloísio Vasconcelos, enviou a todos os deputados federais um documento solicitando estudos técnicos aprofundados e discussões mais amplas sobre a proposta. Na carta, a entidade pede “atuação atenta, firme e tecnicamente direcionada” na tramitação da PEC e alerta que “a redução compulsória da jornada de trabalho, sem contrapartidas estruturais, provoca aumento significativo do custo do trabalho, retração da atividade econômica, pressão inflacionária e, sobretudo, perda de empregos formais”. O documento também reforça a necessidade de uma tramitação cautelosa, com diálogo com o setor produtivo e análise concreta dos impactos econômicos e sociais.

Os projetos preveem a redução da jornada semanal para até 36 horas, mantendo o limite diário de oito horas, com possibilidade de compensação mediante acordo ou convenção coletiva. Embora ainda estejam em fase inicial de tramitação e ainda precisem passar por comissões e votações em plenário, o avanço do tema mobiliza setores econômicos.

Para empresários, o desafio não está apenas no aumento direto da folha de pagamentos, mas também na necessidade de reorganização das operações. A contratação de novos funcionários, a adaptação de turnos e a reestruturação de processos produtivos podem exigir investimentos que nem todas as empresas, sobretudo as de pequeno e médio porte, têm condições de absorver no curto prazo. Outro ponto de atenção é o efeito sobre a perda de competitividade dos produtos e serviços.

A discussão acerca da escala 6×1 avança em um contexto político especial, pois o país está em ano eleitoral. Na avaliação empresarial, esse ambiente reforça a necessidade de uma análise técnica sobre os impactos econômicos e setoriais das mudanças.

Segundo o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora, Aloísio Vasconcelos, a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 podem gerar um aumento de custos e isso refletirá diretamente nos preços ao consumidor, já que o comércio seguirá funcionando nos mesmos horários, mas com despesas maiores com pessoal. “Não podemos matar as galinhas dos ovos de ouro”, afirmou Vasconcelos, ressaltando que medidas dessa natureza precisam ser amplamente debatidas, com base em dados técnicos e diálogo entre trabalhadores, empregadores e o poder público.

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