Setor têxtil aponta importação de ‘blusinhas’ como maior desafio
O setor têxtil mineiro reclama que a importação de malhas e tecidos da China, popularmente conhecida por “blusinhas”, vem afetando fortemente o setor em todo o Brasil. O ponto central é o baixíssimo preço praticado por gigantes do varejo asiáticas, o que dificulta a competição da indústria nacional.
“A gente vem enfrentando a concorrência desleal dos produtos importados. Iniciou com as ‘blusinhas’ das plataformas de venda on-line com preços muito abaixo do que a gente conseguia produzir aqui. Foi o grande desafio (do ano)”, avalia o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Malhas de Minas Gerais (Sindmalhas), Gilberto Mairinque.
Uma matéria-prima importante para a confecção das malhas, como o poliéster, por exemplo, é importada por valores maiores do que a malha pronta do país asiático, reclama Mairinque, que alega que a prática de “dumping está dilacerando a indústria têxtil brasileira“.
Devido à dificuldade que o setor está tendo de competir com roupas vindas de varejistas chinesas, o Sindmalhas e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) entraram na Secretaria de Comércio Exterior (Secex) com um pedido de medida antidumping de malhas de poliéster.
“É uma solução para a gente poder conseguir produzir e vender com um preço competitivo com os similares importados”, aponta o representante do setor.
Dumping
O pedido de antidumping visa proteger a indústria nacional de importações que são vendidas abaixo do custo de produção ou abaixo do preço no mercado interno, o que é visto como uma concorrência desleal para prejudicar o setor local.
Para que uma decisão seja favorável à demanda dos industriais, o governo federal irá realizar uma investigação para saber se os produtos importados da China estão sendo vendidos abaixo do custo de produção no país exportador.
Caso seja comprovado, o objeto importado poderá receber uma taxa para buscar equalizar o preço e tornar a concorrência mais justa.
2025 parecido com 2024
Além da questão das importações, Gilberto Mairique também afirma que as temperaturas um pouco mais baixas do inverno de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, ajudaram um pouco o setor.
“Os dois anos foram bem parecidos. No ano de 2024, a gente teve uma venda de final de ano melhor, mas teve um início pior, já que a gente não teve inverno, o que fez com que o estoque do período ficasse guardado”, diz.
Já, em 2025, as vendas apresentaram queda no período de novembro, um cenário, segundo ele, incomum para o período. “Em 2025, o inverno capitalizou as empresas para o segundo semestre, que teve um início positivo, mas o mês de novembro, que tem bastante vendas, foi bem atípico”, pondera.
Copa do Mundo e eleições podem favorecer setor em 2026
A expectativa para 2026 é otimista para Gilberto Mairinque. “A gente está tendo uma boa demanda de vendas para o início de 2026, então acreditamos que janeiro vai ser muito bom”, prevê.
Dois importantes eventos para boa parte dos consumidores também podem afetar de forma benéfica a indústria. Enquanto alguns setores veem a época de Copa do Mundo como sinônimo de baixas vendas, já que os consumidores estão atentos às partidas, o setor de malhas vê com otimismo o torneio.
“Ano de Copa do Mundo movimenta o mercado, as pessoas compram mais, saem mais, compram roupa do Brasil, o que deixa a gente muito motivado”, afirma Mairinque.
Já as eleições podem ter uma relação indireta. A taxa básica de juros, que vem sendo mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), a 15% ao ano desde junho de 2025, pode cair na próxima reunião do órgão, prevista para janeiro de 2026.
“A eleição também pode refletir, principalmente na baixa da taxa básica de juros, que é muito positivo para a indústria poder fazer investimento”, destaca o dirigente.
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