Setor de transporte em MG se divide entre greve e diálogo diante da alta do diesel
Enquanto a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) indica a possibilidade de uma greve geral dos caminhoneiros, as entidades do setor de transporte rodoviário de cargas de Minas Gerais adotam uma postura mais cautelosa. Diante da alta nos preços do diesel e do frete, a categoria se divide entre defensores de uma possível paralisação e aqueles que optam por ampliar o diálogo.
A sinalização de uma greve nacional partiu do presidente da Abrava, Wallace Landim. “A categoria decidiu cruzar os braços. As condições que a gente tem hoje com esses aumentos de combustíveis inviabilizam manter o transporte rodando”, disse, em sua rede social.
De acordo com o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio do litro do diesel do tipo S10 subiu 13,2% no Estado, desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O preço praticado pelos postos de combustíveis mineiros passou de R$ 5,95 na semana que antecedeu o conflito para R$ 6,73 na semana passada.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística de Minas Gerais (Setcemg) alerta que esse aumento tem pressionado o valor do frete e poderá encarecer os produtos vendidos para o consumidor final. Segundo a entidade, o combustível responde por até 45% dos custos operacionais das transportadoras, o que torna o segmento altamente sensível a qualquer variação de preço.
O presidente do sindicato, Antônio Luis da Silva Junior, no entanto, defende que o momento não é de paralisação, mas de diálogo para encontrar uma solução para estes problemas. Ele pontua que a possível greve é motivada principalmente pela necessidade de repassar os custos do frete e não apenas pelo diesel, já que este último é uma consequência dos conflitos no Oriente Médio.
O dirigente relata que, atualmente, os custos estão sendo bancados apenas pelos transportadores. “Nós entendemos que é necessário diálogo, negociação e o reconhecimento de que, infelizmente, os aumentos dos custos devem ser repassados, porque nós não podemos deixar que apenas um setor pague a conta”, diz.
Soluções para o problema do frete

Em relação à fiscalização da tabela do frete, Silva Junior avalia que a medida é importante para proporcionar valores mais justos, mas que o ideal seria aplicar um reajuste emergencial semelhante ao adotado no preço do diesel para cobrir possíveis variações.
O presidente do Setcemg explica que o reajuste de R$ 0,38 da Petrobras chega até os caminhoneiros a valores que podem somar até R$ 1,80 no preço do diesel.
“Nós teríamos que ter um reajuste emergencial para suprir essas variações no decorrer da viagem ou repassar os preços e admitir que todos deverão pagar uma parte dessa conta e não apenas um setor. A conta dividida é menor para todo mundo”, completa.
O sindicato defende a adoção de medidas que evitem aumentos considerados abusivos e a adoção de soluções junto ao governo federal para mitigar os impactos no setor logístico. Silva acredita que o momento exige cautela.
“É fundamental buscar mecanismos que tragam mais estabilidade aos preços dos combustíveis, garantindo condições mínimas de planejamento para o transporte de cargas e evitando efeitos em cascata sobre a economia”, destaca.
Quanto à mobilização de representantes do setor de transporte para uma possível paralisação, o presidente do sindicato se diz favorável à liberdade de decisão, mas argumenta que sempre busca optar pelo diálogo. Além disso, ele esclarece que o setor é bastante descentralizado, com diferentes entidades representando segmentos diversos.
Protesto contra a alta do diesel do setor

O Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG) chegou a convocar os caminhoneiros, nessa quarta-feira (18), para aderir a uma possível greve nacional. De acordo com o presidente da entidade, Irani Gomes, eles ainda estão aguardando uma posição de toda a categoria no Brasil para tomar uma decisão a respeito.
“O clima está muito quente para essa questão da paralisação, mas ainda não temos nada definido, seja data ou horário”, explica.
O dirigente esclarece que também há outros assuntos a serem abordados, além do aumento do diesel, mas ressalta que o combustível é o de maior relevância, por ser o principal insumo da cadeia logística do transporte. O setor, segundo Gomes, terá que tratar de solucionar problemas envolvendo outros insumos, como o encarecimento da mão de obra e a inflação dos equipamentos, tudo correlacionado com o aumento do combustível.
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