Economia

St George firma parceria com a Boston Metal para testar tecnologia de processamento para o nióbio do Projeto Araxá

Acordo prevê analisar a técnica de eletrólise de óxido fundido para processar o metal, o que possibilita redução de custos e impactos ambientais
St George firma parceria com a Boston Metal para testar tecnologia de processamento para o nióbio do Projeto Araxá
A perspectiva positiva da St George no Projeto Araxá reflete no mercado | Foto: Divulgação St George

A St George Mining e a Boston Metal assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para testar a tecnologia de Eletrólise de Óxido Fundido (MOE, na sigla em inglês) no processamento do nióbio do Projeto Araxá. A parceria foi divulgada nesta quarta-feira (1º).

Como parte do acordo, a empresa norte-americana avaliará a aplicação da técnica que desenvolveu no material da mineradora australiana para a produção de ferronióbio. O método permite simplificar etapas tradicionais do processo, como refino hidrometalúrgico e conversão aluminotérmica, reduzindo custos, geração de resíduos e emissões de carbono.

Outro ponto em análise será o aproveitamento da escória produzida a partir do processamento, que pode apresentar alta concentração de terras-raras. Isso cria sinergia no fluxo produtivo e proporciona vantagem comercial adicional.

O diretor da St George no Brasil, Thiago Amaral, reitera que a tecnologia da empresa dos Estados Unidos aumenta a qualidade do processo, possibilita recuperar materiais que se tornariam rejeitos e diminui a emissão de gases de efeito estufa.

“Em resumo, a parceria com a Boston Metal permite a continuidade do desenvolvimento e teste de novas tecnologias e reforça a nossa busca constante pelos processos mais tecnológicos e eficientes para a produção dos produtos de nióbio e terras-raras”, destaca.

“A tecnologia também possibilita explorar potenciais de avanço na cadeia de suprimentos para a produção de produtos com maior valor agregado no País, reforçando toda a cadeia de fornecimento dos materiais críticos”, complementa.

Conforme divulgado pela mineradora da Austrália, qualquer licenciamento de longo prazo da tecnologia MOE está sujeito e condicionado à negociação e celebração de um acordo formal entre as duas partes. Até que um acordo formal seja firmado, o memorando não cria obrigação para qualquer uma das partes de se envolver exclusivamente com a outra.

Vale dizer que o projeto da St George em Araxá, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, está na fase de exploração mineral e a produção de nióbio do empreendimento está prevista para começar em 2028, enquanto a de terras-raras deve iniciar no ano seguinte. Já a primeira planta comercial da Boston Metal no Brasil, construída no município mineiro de Coronel Xavier Chaves, no Campo das Vertentes, se encontra em comissionamento.

Acordo com empresa de engenharia da Europa para testes de amostras

Na terça-feira (31), a St George anunciou a assinatura de um MoU com a Técnicas Reunidas que envolve testes de amostras do Projeto Araxá.

Pela parceria, a empresa espanhola de engenharia irá, inicialmente, conduzir estudos técnicos para avaliar a eficiência e a adequação de uma tecnologia que desenvolveu, chamada Raretech® no processamento de terras-raras do empreendimento. Trabalhos adicionais, incluindo o design de um fluxograma e de uma planta industrial para processar os materiais, poderão ser solicitados dependendo dos resultados, segundo a mineradora.

Caso os testes químicos e metalúrgicos demonstrem a viabilidade do método, as partes concordam em negociar os termos de um contrato de licença para o uso da técnica no Projeto Araxá. O memorando não cria obrigação de exclusividade para as partes.

O presidente-executivo da St George, John Prineas, afirma que a colaboração com a empresa da Espanha permite ampliar a avaliação das alternativas da rota de processamento e o acesso ao vasto mercado europeu de terras-raras.

A Técnicas Reunidas tem atuação em projetos industriais e processamento de minerais críticos. Além disso, lidera o Projeto Permanet, iniciativa financiada pela União Europeia, que reúne 12 países e 32 parceiros, entre empresas públicas e privadas, voltada à criação da primeira cadeia de valor no continente para a fabricação de ímãs permanentes.

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