Economia

Taxa de condomínio tem reajuste de 6,8% em 2025 no Brasil; tarifa é 60% maior que a inflação

Taxa média no Sudeste chega a R$ 848 e avanço anual supera inflação oficial; aumento de tarifas públicas, serviços e manutenção pressiona orçamento
Taxa de condomínio tem reajuste de 6,8% em 2025 no Brasil; tarifa é 60% maior que a inflação
| Crédito: Shutterstock

A taxa média de condomínio na região Sudeste alcançou R$ 848,47 em 2025, valor equivalente a cerca de 52% do salário mínimo atual e acima da média nacional. O aumento acompanha uma tendência observada em todo o País: o custo condominial subiu 6,8% no ano passado, aumento 59,6% superior à inflação oficial de 4,26%, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados são do Índice Superlógica, levantamento baseado em cerca de 130 mil condomínios e mais de 6,3 milhões de unidades residenciais e comerciais no Brasil.

No Sudeste, além do valor médio acima da média nacional, que ficou em R$ 828,13, a inadimplência registrada foi de 5,93% em 2025, abaixo do índice nacional de 6,28%. Mesmo assim, o avanço das despesas de manutenção, serviços e tarifas públicas tem pressionado o orçamento dos moradores e elevado o custo de viver em condomínios.

O diretor de crédito do Grupo Superlógica, João Baroni, afirma que o aumento das taxas reflete um conjunto de fatores econômicos e operacionais. “A alta da taxa de condomínio acima da inflação reflete uma combinação de fatores: juros elevados, que encarecem contratos e serviços, inflação ainda pressionando itens do dia a dia e custos operacionais que pesam no orçamento, especialmente folha de pagamento e investimento em tecnologia e segurança. Esse conjunto empurra o valor da taxa para cima”, explica Baroni.

Segundo ele, mesmo com leve recuo da inadimplência, os valores das taxas seguem como ponto de atenção por comprometerem a renda das famílias.

Em Minas Gerais, o aumento dos custos de serviços e insumos aparece como um dos principais fatores por trás da alta das taxas. O advogado condominialista e presidente do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais (Sindicon-MG), Carlos Eduardo Alves Queiroz, afirma que os reajustes não ocorrem diretamente na taxa, mas no custo de manter os edifícios em funcionamento.

“As tarifas públicas subiram assustadoramente. As empresas prestadoras de serviços também aumentaram os preços. Manutenção de elevador, de jardins, de piscina e de áreas de lazer, tudo subiu muito”, afirma. Ele destaca que até as despesas com transporte de funcionários, combustível e contratos de manutenção são repassadas aos condomínios. “Não é exatamente a taxa de condomínio que aumenta por si só. O que acontece é que esses custos sobem e acabam refletindo diretamente na taxa”.

Manutenção de estruturas prediais também aumentam o custo

Outro fator que pressiona o valor das taxas é a necessidade de manutenção constante das estruturas prediais. De acordo com o especialista, quando os condomínios deixam de realizar manutenção preventiva por falta de recursos, os custos futuros tendem a ser maiores.

“Há muitos prédios deteriorados por falta de manutenção corretiva constante. Em alguns condomínios, por falta de recursos, deixam de consertar um vazamento ou de arrumar um telhado. A falta de manutenção preventiva leva a custos maiores no futuro e, consequentemente, ao aumento da taxa de condomínio”, afirma.

Valor é diretamente proporcional à infraestrutura

A infraestrutura dos edifícios também influencia diretamente o valor cobrado dos moradores. Prédios com áreas de lazer, sistemas de segurança mais complexos e equipamentos coletivos exigem gastos permanentes de manutenção.

“O impacto depende muito da infraestrutura que cada prédio tem. Se o condomínio possui área de lazer, a tendência é que a taxa seja mais alta, porque os custos de manutenção são maiores”, afirma Queiroz. O advogado condominialista alerta que esse fator tem influenciado inclusive a escolha de moradia dentro das cidades. “Muitas vezes, alguém que vive em bairros mais valorizados acaba se mudando para regiões com prédios mais simples, onde a taxa de condomínio é menor”, ressalta.

Empresas garantidoras de receita condominial

Além dos custos operacionais, algumas estratégias adotadas pelos condomínios para lidar com a inadimplência também podem elevar as despesas. Uma delas é a contratação de empresas garantidoras de receita condominial, que antecipam os pagamentos ao condomínio em troca de uma taxa adicional.

“Alguns condomínios contratam empresas garantidoras que acrescentam cerca de 8% ao valor da taxa. O condomínio recebe o valor mesmo que haja inadimplência, mas isso tem um custo que acaba sendo repassado aos moradores”, explica o presidente do sindicato.

Inadimplência teve leve queda

Apesar da pressão sobre o orçamento, a inadimplência condominial apresentou leve queda em 2025. O índice nacional recuou 0,02 ponto percentual em relação a 2024 e encerrou o ano em 6,28%. O maior nível foi registrado em junho, com 7,19%, enquanto o menor ocorreu em dezembro, com 5,87%.

Entre as regiões do País, o Norte apresentou o maior índice médio de inadimplência, com 7,86%, seguido pelo Nordeste, com 6,09%. O Sudeste aparece na terceira posição, com 5,93%. O Centro-Oeste registrou 5,70% e o Sul apresentou o menor índice, com 4,74%.

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