Taxa de condomínio em MG cresce mais que o dobro da inflação em 2025, aponta levantamento
A taxa de condomínio em Minas Gerais subiu 9,32% em 2025 e avançou mais que o dobro da inflação registrada no período. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou o ano em 4,26%, o custo condominial no Estado cresceu 118,8% acima desse indicador, segundo levantamento do Índice Superlógica.
O cenário mineiro supera a, já alta, média nacional. No Brasil, a taxa de condomínio registrou aumento de 6,8% em 2025, o que representa crescimento 59,6% acima da inflação oficial. Conforme o Índice, em Minas Gerais, o valor médio da taxa condominial ficou em R$ 388,50 ao longo do ano – o que corresponde a 23,97% do salário mínimo de 2026, calculado em R$ 1.621.
Apesar da pressão sobre os custos, a inadimplência apresentou recuo no Estado. Nesse aspecto, o índice encerrou 2025 em 4,94%, abaixo da média nacional, que foi de 6,28%, e com queda de 0,74 ponto percentual em relação a 2024. O maior nível de atraso foi registrado em setembro, quando atingiu 6,69%, enquanto o menor ocorreu em dezembro, com 4,55%.
Custos operacionais pressionam orçamento dos prédios
Segundo o advogado condominialista e presidente do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais (Sindicon-MG), Carlos Eduardo Alves Queiroz, o aumento das taxas reflete principalmente a elevação de despesas operacionais dos condomínios.
“O condomínio não aumenta a taxa por decisão isolada. O que ocorre no Estado, assim como no Brasil, é o encarecimento dos custos que compõem o orçamento do prédio, como contratos de manutenção, tarifas públicas e serviços terceirizados. Quando essas despesas sobem, o rateio entre os moradores inevitavelmente acompanha esse movimento”, afirma.
Ele explica que itens ligados à mão de obra e à segurança têm pesado cada vez mais no orçamento das administrações condominiais. “Folha de pagamento, encargos trabalhistas, portaria, vigilância e manutenção são despesas estruturais que vêm registrando aumentos sucessivos. Em muitos casos, os condomínios também passaram a investir mais em tecnologia e sistemas de controle de acesso, o que eleva o custo operacional”, diz.
O Diretor de Crédito do Grupo Superlógica, João Baroni, tem uma visão semlhante a de Queiroz, mas destaca que outro grande fator que influencia no encarecimento da taxa são os juros elevados. “Eles encarecem contratos e serviços, além da inflação que pressiona itens do dia a dia e custos operacionais que pesam no orçamento, especialmente folha de pagamento e investimento em tecnologia e segurança”, observa.
Comparativo regional
Na comparação entre regiões do País, o Norte apresentou a maior taxa média de inadimplência condominial em 2025, com 7,86%. Em seguida aparecem Nordeste (6,09%) e Sudeste (5,93%). O Centro-Oeste registrou índice médio de 5,70%, enquanto a região Sul apresentou o menor nível, com 4,74%.
O pico regional também ocorreu no Norte, onde a inadimplência chegou a 9,63% em setembro.
Base de dados
O Índice Superlógica é elaborado a partir de uma base com cerca de 130 mil condomínios distribuídos em todo o país, que somam mais de 6,3 milhões de unidades entre casas e apartamentos.O levantamento considera o valor das taxas condominiais e, para o cálculo da inadimplência, contabiliza boletos em atraso há mais de 90 dias.
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