Economia

Desocupação em Minas atinge 3,8%, o menor nível da série histórica

Índice fecha 2025 em 4,6% no acumulado do ano e 3,8% no quarto trimestre; renda avança e informalidade recua
Desocupação em Minas atinge 3,8%, o menor nível da série histórica
Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

A taxa de desocupação em Minas Gerais ficou em 3,8%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no 4º trimestre de 2025. Este é o menor índice de desocupação para o período desde o início da série histórica, que começou em 2012. No País, essa taxa foi de 5,1%; na capital mineira, 4,8%.

O resultado no Estado indica estabilidade em relação ao trimestre anterior, quando o índice ficou em 4,1%, e ao mesmo período de 2024, quando alcançou 4,3%.

De acordo com o coordenador da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em Minas Gerais (Pnad/MG), Humberto Sette, não é possível afirmar os motivos de Minas apresentar taxas menores que a média nacional, mas o fato é que o Estado tem uma dinâmica de mercado de trabalho superior à média do País. “Além disso, quando se observa o índice do Brasil, ele sofre influência das regiões Norte e Nordeste, que possuem uma dinâmica bem menor. Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm ritmos mais acelerados, mas não o suficiente para baixar a média do País”, acrescenta.

O professor do curso de Economia do Ibmec BH, Luiz Gama, observa que o destaque de Minas é reflexo do volume de geração de vagas formais que o Estado tem criado e da importância dos micro e pequenos negócios, que contribuem para a geração de empregos. “Recentemente, o governo estadual também tem investido e lançado programas de capacitação técnica que contribuem para a melhoria da qualificação e, consequentemente, das contratações”, afirma.

De acordo com a pesquisa do IBGE, 431 mil pessoas estavam desocupadas em Minas Gerais no 4º trimestre do ano passado. Já a população ocupada alcançou 10,84 milhões no mesmo período, o que corresponde a uma taxa de ocupação de 61,1%, representando redução de 0,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao 3º trimestre de 2025, quando foi estimada em 61,7%. Em relação ao 4º trimestre do ano anterior (2024), o coordenador da Pnad/MG diz que o índice ficou estável. Na época, alcançava 61,9%.

Rendimento médio do mineiro é de R$ 3.353

Ainda conforme os dados da pesquisa, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas em Minas Gerais foi de R$ 3.353, apresentando variação positiva de 4,1% em relação ao trimestre anterior, quando o valor era de R$ 3.221, e de 8,6% em relação ao 4º trimestre de 2024, quando era de R$ 3.088.

Essa alta, conforme Humberto Sette, é real. São valores já deflacionados, ou seja, já descontada a inflação. “Nesse caso, o que percebemos é que o rendimento médio do trabalho vem aumentando ao longo do tempo de forma bastante consistente”, analisa. Segundo ele, apenas em 2021 e 2022 foi observada uma ruptura nesse padrão em função da pandemia.

Já em Belo Horizonte, o rendimento médio mensal habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas foi de R$ 5.184 no 4º trimestre de 2025, sendo considerado estatisticamente estável tanto em relação ao 3º trimestre de 2025 (R$ 4.946) quanto ao 4º trimestre de 2024 (R$ 4.534).

No Brasil, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.613, um incremento de 2,4% em relação ao trimestre anterior (R$ 3.527) e de 5% no comparativo com o 4º trimestre de 2024 (R$ 3.440).

Desalento

No último trimestre do ano, Minas Gerais contava ainda com um contingente estimado de 179 mil pessoas desalentadas, ou seja, em condição de trabalhar, mas que desistiram de buscar emprego.

Nesse caso, o percentual de pessoas desalentadas ficou em 1,6% em Minas Gerais, também estável tanto em comparação com o 3º trimestre de 2025, quando foi de 1,4%, quanto em relação ao 4º trimestre de 2024 (1,8%).

Mulheres, pretos e pardos têm índices mais altos de desocupação

Evidenciando desvantagem no mercado de trabalho, a taxa de desocupação por sexo em Minas Gerais foi de 3,2% para os homens e de 4,6% para as mulheres no período analisado.

Já a taxa de desocupação por cor ou raça ficou abaixo da taxa geral estadual (3,8%) para os brancos (2,9%) e acima da média para os pretos (4,7%) e pardos (4,4%).

Nesses casos, o professor do Ibmec BH, Luiz Gama, avalia que o cenário não é isolado em Minas. “É comum no Brasil que isso seja observado, tanto pela discriminação contra a mulher quanto pelo fato de os negros terem menos acesso à educação de qualidade. No caso da mulher, ela também se afasta do mercado de trabalho em função da maternidade, geralmente alcançando maiores índices de desocupação”, explica.

A taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto (6%) foi maior do que a dos demais níveis de instrução no Estado. Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi de 4,2%, mais que o dobro da verificada para o nível superior completo (2%). “Uma educação básica de qualidade é, sem dúvida, essencial para que superemos esses cenários, mas realmente são problemas que existem não apenas em Minas Gerais, mas em várias regiões do Brasil”, diz o professor.

Os dados da pesquisa também mostram que 36,5% da população ocupada estavam na informalidade.

2025: ano de índices históricos

Em relação aos índices de todo o ano de 2025, Humberto Sette analisa um cenário de recordes positivos.

Em Minas, a desocupação fechou o ano em 4,6%, o menor índice desde 2012, enquanto a taxa de ocupação foi de 62,3%, também o melhor resultado da série histórica.

Já o índice de informalidade, de 36,8% no Estado, foi o menor da série iniciada em 2016, sendo superior apenas ao registrado em 2024, conforme destaca Sette.

“Tanto para o Brasil quanto para Minas, a maioria dos indicadores iniciou, em 2022, a recuperação pós-pandemia, alcançando patamares registrados na primeira metade da década de 2010. Em 2023 e 2024, a tendência se reforçou, e 2025 reitera essa retomada”, finaliza.

Ritmo em 2026 deve ser mais moderado

Se, em 2025, o mercado de trabalho apresentou resultados historicamente favoráveis, com a taxa de desemprego atingindo os menores níveis da série tanto no Brasil quanto em Minas Gerais, em um contexto de atividade econômica resiliente, o economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Pio, chama a atenção para a retração apresentada pelo setor industrial.

Segundo ele, no quarto trimestre de 2025, a indústria contabilizou, em relação ao trimestre anterior, retração, com o contingente de ocupados no setor diminuindo 1,2%, passando de 20,8 para 20,6 milhões. Já em Minas, a queda foi mais intensa, de 2,4%, com o total recuando de 2,4 para 2,3 milhões de trabalhadores.

Dessa forma, ele ressalta que, para 2026, a projeção é de manutenção dos resultados positivos no mercado de trabalho, porém em ritmo mais moderado. “Esse movimento reflete os efeitos acumulados da política monetária restritiva sobre a atividade econômica, que tendem a reduzir gradualmente o dinamismo do mercado de trabalho como um todo”, diz.

Ainda na avaliação do economista da Fiemg, embora a taxa Selic permaneça em patamar elevado, medidas de transferência de renda e estímulos ao consumo contribuem para evitar uma desaceleração mais intensa, mas não sustentam o ritmo de expansão observado anteriormente.

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