TCU dá aval para o processo de privatização da Ceasa Minas

Com a realização dos ajustes apontados pela Corte de Contas, o Ministério estima ser possível realizar o leilão
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TCU dá aval para o processo de privatização da Ceasa Minas
O vencedor do leilão da Ceasa Minas vai assumir os negócios de entrepostagem | Crédito: Eugenio Savio

O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o prosseguimento do processo de privatização da Centrais de Abastecimento de Minas Gerais S/A (Ceasa Minas) por parte do governo federal. A Justiça analisou mas não acatou as denúncias de possíveis irregularidades no processo de desestatização. Entre elas estaria o vazamento do edital da licitação da Ceasa para um grupo de empresários. Agora o ativo pode ser licitado.

Sociedade de economia mista de capital fechado, a Ceasa Minas foi repassada à União em 1996 e faz a administração de entrepostos de abastecimento em seis municípios mineiros. As unidades estão localizadas nas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Caratinga, Governador Valadares, Barbacena e, como principal, o de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Os ministros declararam que não há irregularidades que impeçam a privatização e que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimento atenderam aos requisitos para a desestatização.

TCU faz recomendações para privatização da Ceasa

De toda maneira, o Tribunal fez uma série de recomendações. Determinou, por exemplo, que o BNDES revise as projeções de receitas de tarifa de uso dos contratos de concessão de uso que apresentem carência ou desconto. E também que atualize os fluxos de caixa projetados.

Outra determinação à instituição de fomento é que ajuste as avaliações econômico-financeiras com o quantitativo de funcionários demitidos, o valor das rescisões e os gastos de pessoal nos fluxos de caixa.

Privatização da Ceasa Minas

A Ceasa Minas foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) em 2000. Mas o processo só começou a avançar a partir de 2020. Desde então, o BNDES passou a conduzir o processo de contratação de estudos técnicos especializados para aprofundamento das análises e ações em vistas a desestatização da empresa.

Segundo o Ministério da Economia, “a aprovação da Corte de Contas fortalece a segurança jurídica e a transparência do processo, além de permitir o avanço para as fases de publicação do edital e realização do leilão”.

E o próximo passo diz respeito ao encaminhamento da proposta de atualização da modelagem ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) para aprovação e posterior publicação do edital de privatização.

A desestatização da companhia foi dividida em três lotes. O Lote 1 consiste em terrenos pertencentes à empresa (greenfield) com vocação logística e residencial, localizados em Contagem. O Lote 2 trata da alienação da própria companhia, e o Lote 3 é a composição dos ativos dos Lotes 1 e 2.

O vencedor do leilão assumirá os negócios de entrepostagem (depósito ou venda de mercadorias) e assinará o contrato de concessão de uso com o governo do Estado de Minas Gerais para operar os Mercados Livres do Produtor durante 25 anos.

Repercussão

A reportagem tentou contato com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e a Associação Comercial da Ceasa (ACCeasa-MG) para que comentassem sobre a evolução do processo. A Faemg não quis comentar o assunto e a ACCeasa-MG não respondeu aos telefonemas.

Já alguns lojistas mostraram satisfação e expectativa quanto à concessão dos ativos. Segundo eles, apesar dos milhões de reais transacionados todos os meses nas centrais, as unidades estão “jogadas às traças”.

“A Ceasa está caindo aos pedaços e ninguém fala nada. São poucas pessoas que tomam a frente do processo. São muitos anos de luta, mas sem muitos resultados práticos”, disse um deles.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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