Economia

Minas Gerais deve sofrer impacto limitado da tensão entre EUA e Venezuela

Se não houver uma escalada no conflito, efeitos tendem a ser predominantemente indiretos, avaliam especialistas
Minas Gerais deve sofrer impacto limitado da tensão entre EUA e Venezuela
Crise na Venezuela aumentou a tensão na América Latina | Foto: Leonardo Fernandez Viloria / Reuters

A tensão geopolítica entre Estados Unidos (EUA) e Venezuela deve gerar, no curto prazo, um impacto limitado na economia de Minas Gerais e do Brasil, de acordo com especialistas. Os efeitos do conflito, caso não escale mais, tendem a ser principalmente indiretos.

O conflito entre os países alcançou o ápice no sábado (3) quando forças militares norte-americanas capturaram, em Caracas, Nicolás Maduro. Acusado de crimes que incluem conspiração para narcoterrorismo e para importação de cocaína, ele foi levado para um centro de detenção em Nova York. O líder ditatorial se declarou inocente na segunda-feira (5), na primeira audiência perante a Justiça dos EUA.

O impacto da escalada na tensão será bastante limitado no curto prazo para o Brasil e, em particular, para Minas Gerais, pelo fato de não terem uma dependência das relações com a Venezuela, conforme o professor da FIA Business School, Claudio Felisoni.

Segundo o professor de Ciências Contábeis da Estácio BH, Alisson Batista, o Brasil e Minas Gerais estão relativamente confortáveis diante do conflito, pois, para ambos, o mercado venezuelano não figura entre os principais parceiros comerciais.

Para o Brasil, os impactos indiretos no curto prazo tendem a estar associados ao aumento da incerteza internacional, à volatilidade cambial e a possíveis pressões sobre os preços de energia, analisa a doutora em economia no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Diana Chaib.

Sobre os efeitos em Minas Gerais, ela pontua que o Estado é sensível à variação do câmbio, aos custos de energia e ao desempenho do comércio internacional. E acrescenta que setores como mineração e indústria podem ser afetados por um ambiente externo mais instável.

Efeitos de uma nova escalada no conflito

Na opinião de Diana Chaib, caso a tensão se prolongue ou escale mais, os impactos podem se tornar mais significativos, afetando decisões de investimento, o comércio regional e a estabilidade econômica da América do Sul. Ela explica que economias mais emergentes como a brasileira costumam ser mais vulneráveis a esse tipo de choque externo.

Para a doutora em economia no Cedeplar/UFMG, uma nova escalada do conflito poderia acontecer, por exemplo, com a intensificação de ações militares, ou sanções econômicas mais duras, que ampliem o isolamento da Venezuela, e com o envolvimento direto de outros países, seja por alinhamentos políticos, seja por disputas comerciais e energéticas.

“De forma geral, conflitos dessa natureza tendem a gerar mais custos do que benefícios para a América Latina, reforçando a importância da diplomacia e da estabilidade como bases para o desenvolvimento econômico”, destaca.

Batista avalia que, na possibilidade de um aumento do conflito, visto que o presidente norte-americano Donald Trump até mesmo “alfinetou” a Colômbia – Trump disse que o presidente do país, Gustavo Petro, “tem que ficar esperto” após a captura de Maduro –, estima-se a fuga de capital para investimentos mais seguros.

A princípio, o professor da Estácio BH diz que o principal ponto de análise tende a ser variação no câmbio, seguido por diminuição da confiança do investidor estrangeiro na América Latina. Segundo ele, esses fatores podem impactar o mercado nos próximos dias.

“Somado a estes dois fatores temos também o impacto em combustíveis. Uma vez que a Venezuela é um grande produtor de petróleo, estima-se uma oscilação positiva do preço do barril. É algo também para que todos fiquem atentos”, ressalta, dizendo que também vale ficar atento às questões relacionadas ao câmbio e aos combustíveis, uma vez que esses pontos podem afetar a inflação e assim comprometer a economia do Brasil.

Já o professor da FIA Business School diz que deve se considerar que as tensões entre EUA e Venezuela e o ataque norte-americano ao país amplificaram as percepções de risco na América Latina. Conforme Felisoni, tal situação pode levar mais adiante a aumentos de juros e restrições a operações comerciais e financeiras.

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