Com forte impacto do transporte, inflação na Grande BH fecha 2025 a 3,97%
Com altas sucessivas em diferentes frentes ao longo do ano, o setor de transporte protagonizou o avanço da inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) em 2025. No acumulado do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH), registrou elevação de 3,97%.
Calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento aponta que o grupo de transportes pressionou significativamente o orçamento do consumidor. No período, o etanol registrou alta de 3,71%, mas o destaque negativo ficou para o transporte por aplicativo, que disparou 46,14%.
Além da mobilidade, a alimentação e serviços também apresentaram variações expressivas: o café moído subiu 30,45%; a passagem aérea, 21,04%; a banana-prata, 16,61%; e o lanche fora de casa, 14,45%. Apesar das altas em determinadas categorias, a inflação acumulada nos últimos 12 meses permanece dentro do teto da meta estipulada pelo Banco Central (BC), sendo o menor índice registrado para o período em quatro anos.
Juros altos ajudam na desaceleração
O coordenador da pesquisa do IBGE em Minas Gerais, Venâncio da Mata, ressalta que o recuo deste índice frente aos anos anteriores já é reflexo da taxa de juros elevada, que cumpriu o papel de frear o consumo e segurar a escalada de preços. “Com certeza esse resultado está atrelado aos altos juros. Comparando com o nacional, (4,26%), o índice local ficou bem próximo”, analisa.
Ao analisar a série histórica recente da Grande Belo Horizonte, Mata acrescenta que o índice de 3,97% em 2025 pode consolidar uma trajetória de desaceleração. O cenário atual contrasta com o pico registrado em 2021, na época da pandemia da Covid-19, quando a inflação local disparou para 9,58%. Em 2022, houve recuo para 4,64%, seguido por duas altas consecutivas em 2023 (5,05%) e 2024 (5,96%).
“A gente consegue ver claramente que houve desaceleração da inflação de lá para cá, tanto da Grande Belo Horizonte, quanto nível Brasil”, comenta o coordenador.
Queda no preço dos alimentos puxa inflação para baixo
A melhoria nesse cenário já reflete na redução de preços em alguns produtos, especialmente em itens essenciais da cesta básica em 2025. O destaque absoluto foi a laranja, com uma queda expressiva de 36%, seguido pelo arroz (-27,5%), açúcar (-13,15%) e leite (-12,36%).
No transporte, algumas categorias apresentaram fôlego e contribuíram para evitar preços ainda mais expressivos ao consumidor. Enquanto os serviços de aplicativo dispararam, quem depende de veículo próprio sentiu um leve alívio no acumulado do ano, já que o preço do veículo usado registrou queda de 2,04%, e a gasolina, apesar da alta pontual em dezembro, encerrou o período com redução de 1,18%.
O preço do ônibus urbano também encerrou 2025 em queda, de 4,57%. Segundo Mata, a redução pode ser explicada pela isenção de tarifas do transporte público em Belo Horizonte aos domingos e feriados, em vigor desde 14 de dezembro.
Habitação também pressiona inflação
Segundo o economista Guilherme Almeida, o grupo de transportes, apesar de um peso relevante no indicador, registrou uma valorização de quase metade da média nacional. “Esse comportamento mais contido justifica o fato de a inflação local ter ficado abaixo da observada no restante do País”, explica.
A alta expressiva em alguns subgrupos, segundo ele, pode estar relacionada ao reajuste no preço dos combustíveis ao longo do ano, que, em partes, é repassado aos consumidores. Além disso, fatores sazonais ligados a oferta e demanda, especialmente no fim do ano, acabam encarecendo as corridas.
Com isso, a Grande Belo Horizonte posicionou-se como a sexta maior inflação do Brasil. O ranking é liderado pelas cidades de Vitória (ES) com 4,99%, Porto Alegre (RS) com 4,79% e São Paulo (SP), com 4,78%.
Para Almeida, no atual contexto, o componente que merece maior atenção é a habitação, que somente em Belo Horizonte variou 46,14%. O principal item que contribuiu para essa alta nos preços foi a energia elétrica, que avançou 11,29%, bem como os preços do aluguel (6,61%) e da taxa de água e esgoto (6,41%).
“Isso está ligado, obviamente, aos reajustes praticados no custo da energia residencial, que foi o principal motor do grupo de habitação”, acrescenta.
Juros ainda elevados devem gerar menor pressão inflacionária em 2026
Apesar da perspectiva de redução na taxa de juros para 2026, o economista frisa que os efeitos da política monetária restritiva ainda serão observados ao longo do ano. “Isso é benéfico do ponto de vista inflacionário, porque tende a gerar menor pressão inflacionária”, avalia.
Nesse cenário, a tendência apontada é que a inflação permaneça dentro do intervalo da meta para que o Banco Central consiga atingir o objetivo econômico. “Os cortes devem ocorrer ao longo de 2026, levando a Selic dos atuais 15% para algo em torno de 12,5% ou 12%. Ainda assim, a taxa seguirá elevada, o que continua impactando negativamente a concessão de crédito e, consequentemente, tende a reduzir a pressão sobre a inflação”, finaliza.
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