Uberaba prevê obra de R$ 300 milhões para ampliar abastecimento de água
A Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau) de Uberaba, no Triângulo Mineiro, pretende dar início este ano às obras do projeto Rio Grande que tem como objetivo ampliar a infraestrutura hídrica da cidade. Com investimentos que ultrapassam os R$ 300 milhões, o projeto consiste em ampliar o abastecimento de água da cidade que atualmente é considerada insuficiente em momentos de grande demanda, ao captar água do Rio Grande, além de garantir segurança hídrica a longo prazo.
De acordo com o presidente da Codau, Rui Ramos, o projeto é importantíssimo diante de um problema histórico enfrentado pela cidade. “Uberaba tem um problema sério de abastecimento de água faz mais de 30 anos e tem só uma fonte de captação, que é o Rio Uberaba, que não é capaz de atender a demanda, principalmente nos períodos de seca”, afirmou.
Segundo ele, a decisão de buscar uma nova fonte hídrica foi baseada em estudos técnicos que apontaram o Rio Grande como a melhor alternativa. “Foi tomada uma decisão de buscar uma outra fonte de captação, que é o correto para uma cidade do porte de Uberaba. Não podemos depender de uma fonte só”, explicou.
O projeto contempla não apenas a captação da água, mas também uma complexa estrutura de bombeamento e tratamento. “Além da obra de captação, teremos duas estações elevatórias: uma perto do rio e uma segunda no meio do caminho por causa de um desnível de 300 metros que o trajeto de 28 quilômetros possui. Também será construída uma nova estação de tratamento, a ETA IV”, detalhou Rui Ramos.
A nova estação terá capacidade inicial de 600 litros por segundo, podendo ser ampliada para 900 litros por segundo, praticamente dobrando a capacidade atual de expansão do sistema. Hoje, as estações existentes produzem cerca de 1.200 litros por segundo, enquanto o consumo em horários de pico já ultrapassa 1.500 litros por segundo.
“Hoje as três estações são insuficientes para atender a demanda de Uberaba nas horas de maior consumo. A cidade vem crescendo muito, recebeu mais de 140 empresas e investimentos perto de R$ 6 bilhões, o que aumenta o consumo de água”, ressaltou.
Para viabilizar a obra com maior eficiência econômica, a Codau optou por dividir o projeto em duas licitações. “Nós separamos em duas licitações. Uma foi para a compra da tubulação, já concluída, com valor de R$ 63 milhões. Se incluísse isso na obra principal, encareceria, porque a empreiteira colocaria custos indiretos sobre o material”, explicou o presidente.
A segunda licitação, que contempla a execução da obra completa (incluindo captação, estações elevatórias, adutoras e a nova estação de tratamento) está estimada em R$ 240 milhões, com abertura das propostas prevista para 15 de abril.
“Somando com a tubulação, passa de R$ 300 milhões. É um investimento de cerca de R$ 303 milhões, podendo variar conforme as propostas”, afirmou.
Projeto tem recurso do CAF
Os recursos são provenientes de financiamento internacional junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). “O financiamento já está contratado, está vigente e garantindo os recursos não só para essa obra, mas para um conjunto de projetos do programa Desenvolve Uberaba”, disse.
A previsão inicial é de que as obras sejam concluídas em até quatro anos, mas há expectativa de redução desse prazo. “As empresas interessadas têm dito que conseguem fazer em dois anos a dois anos e meio. Nós vamos trabalhar firme para isso, porque o recurso está garantido”, afirmou.
O início das obras depende da conclusão do processo licitatório. “Assim que concluir a licitação, em cerca de 30 a 60 dias após a abertura das propostas, já será possível dar a ordem de serviço”, completou Rui Ramos.
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