Compras da Usiminas com fornecedores de Minas chegam a R$ 7,8 bilhões
A cadeia siderúrgica continua sendo um dos principais motores da economia industrial de Minas Gerais. Em torno das grandes usinas, forma-se uma rede de fornecedores que vai da mineração ao transporte, passando por serviços especializados e tecnologia industrial. Esse encadeamento produtivo transforma a atividade do aço em um vetor relevante de geração de renda, emprego qualificado e dinamização econômica em diferentes regiões do Estado.
Em 2025, a Usiminas movimentou R$ 7,8 bilhões em compras e contratos com fornecedores mineiros, consolidando a estratégia de valorização da cadeia produtiva local. Os aportes estão descentralizados em diferentes regiões do Estado e impulsionam segmentos como matéria-prima, transporte, logística, energia e serviços.
O volume registrado no ano passado representa um acréscimo de aproximadamente 20% em relação a 2024, o que corresponde a R$ 1,6 bilhão a mais movimentado em um ano. Do total, 82,4% foram destinados à indústria e 17,6% ao setor de serviços.
As informações foram detalhadas pelo diretor de Relações Institucionais e Comunidades da Usiminas, André Chaves, ao Diário do Comércio. Segundo ele, entre as regiões de atuação da companhia, o Vale do Aço se destaca: concentra 18% dos fornecedores da empresa e movimentou R$ 1,3 bilhão no ano passado.
A região conta com cidades como Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, que abrigam polos industriais relevantes no Estado. Entre os segmentos que mais sentiram o impacto positivo estão o de gás natural, o setor mineral e o de matérias-primas essenciais para a siderurgia.
De acordo com o executivo, o fortalecimento desses segmentos iniciou nos últimos 10 a 15 anos, como parte de um programa de desenvolvimento da cadeia de fornecedores locais. “Entendemos que é uma parceria de longo prazo. Desde a fundação da Usiminas, o Vale do Aço se especializou dentro da cadeia metalmecânica, e muitas empresas da região, após anos atuando como fornecedoras da companhia, ampliaram sua atuação”, detalha.
O impacto vai além de beneficiar os próprios negócios, funcionando como uma alavanca para o desenvolvimento socioeconômico regional. Antes da implementação do programa, Chaves relembra que a região encontrava dificuldade para encontrar mão de obra qualificada, necessitando acionar trabalhadores de outras localidades para compor a equipe em determinadas funções.
Hoje, o cenário é completamente diferente do passado, a partir do fortalecimento das parcerias locais. “Em tempos de escassez de mão de obra, a qualidade local é muito boa. Já realizamos a reforma de altos-fornos com parceiros locais, resultado de anos de desenvolvimento tecnológico e de produtos”, destaca.
Além de grandes negócios, o executivo avalia que o impacto também é perceptível entre pequenas e médias empresas, que também se tornaram competitivas em função da qualidade da mão de obra. Com o aço como elemento central da cadeia produtiva, Chaves ressalta que a região, além de já consumir o próprio produto, também agrega valor e o direciona para diversos setores da economia em todo o País.
Para 2026, a expectativa é manter o crescimento, acompanhado do amadurecimento qualitativo na prestação de serviços da cadeia, com práticas voltadas à sustentabilidade e à qualidade na produção. “Hoje enxergamos que estamos em um patamar bastante compatível com a capacidade produtiva. Se houver aumento da demanda da Usiminas, existe espaço para ampliação”, salienta o executivo.
Concorrência do aço chinês desafia a indústria
Os avanços são celebrados com ainda mais afinco ao considerar o atual cenário para a companhia no País, marcado por incertezas diante da concorrência com o aço chinês. Segundo Chaves, 2025 foi o ano com maior importação da commodity na história do País, o que acabou dificultando o desempenho da indústria siderúrgica nacional.
Mesmo diante desse cenário, a Usiminas reforça que segue priorizando fornecedores locais, importando apenas aquilo que não é produzido no País, seja por qualidade de material ou disponibilidade de matéria-prima, como é o caso do carvão mineral. “Prestigiamos muito a indústria local, mesmo diante das dificuldades. Foi um ano desafiador para o mercado, marcado pela concorrência desleal com o aço chinês”, reforça.
A Usiminas defende a igualdade de condições de concorrência, que segue em análise pelo governo federal a partir das medidas antidumping, com investigações que chegam a durar 18 meses pelo caráter técnico. “A expectativa é que, uma vez estabelecidas essas condições, o mercado passe a operar sem práticas desleais. A Usiminas afirma ter competitividade para disputar esse ambiente, destacando os investimentos realizados e a necessidade de continuar investindo para manter o equilíbrio do setor”, finaliza Chaves.
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