Usiminas prevê impactos positivos do antidumping contra aço da China
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) vislumbra uma retomada de volumes de vendas no mercado interno após a oficialização de direito antidumping definitivo, por até cinco anos, às importações brasileiras de laminados planos a frio e revestidos da China. O grupo diz estar preparado para atender uma parcela da demanda tomada pelos chineses.
Para o vice-presidente comercial da empresa, Miguel Homes, a medida, autorizada nessa quinta-feira (12) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), confirma a solidez das denúncias da companhia sobre dumping do gigante asiático. Conforme ele, o mesmo cenário é esperado para os laminados a quente, com a expectativa de uma definição do processo para meados deste ano.
Na avaliação do executivo, os impactos do antidumping sobre os laminados planos a frio e os laminados planos revestidos deverão ser bastante positivos para a siderurgia nacional, já que a importação desses produtos superou 1,5 milhão de toneladas (t) nos últimos 12 meses. Ou seja, haverá mais possibilidades de venda para as siderúrgicas locais.
Segundo ele, em 2025, a Usiminas vendeu cerca de um milhão/t de laminados a frio no mercado interno, de um total de aproximadamente quatro milhões/t de aço comercializados no ano. De acordo com Homes, os desembarques em condições desleais levaram a uma redução do volume vendido do produto pelo grupo no País, mas a companhia tem capacidade de aumentar a produção para substituir grande parte dessas importações.
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Risco de triangulação dos produtos
Ainda conforme o vice-presidente comercial da Usiminas, o antidumping contra os chineses, aprovado nesta semana, é importante para começar a corrigir a distorção gerada pelas importações desleais. No entanto, existe o risco de triangulação dos produtos – como forma de burlar a medida – porque o problema estrutural continua, que é a sobreoferta global de aço a partir de um forte incremento de produção no gigante asiático.
“Quando se analisa as medidas de antidumping aplicadas aos laminados a frio em nível mundial, observa-se que existem hoje cerca de 40 casos em vigor. Desses casos, aproximadamente 12 são contra a China, sendo que o segundo e o terceiro países com maior número de casos são o Vietnã e a Coreia (do Sul)”, disse Homes em conferência com analistas nesta sexta-feira (13) para apresentação de resultados do grupo.
“Então, definitivamente existe esse risco futuro (de triangulação) e precisamos seguir monitorando e trabalhando junto aos organismos de governo para evitá-lo”, ressaltou.
Empresa destaca medidas de defesa comercial aprovadas em janeiro
Durante a conferência, o CEO da Usiminas, Marcelo Chara, também destacou as medidas de defesa comercial anunciadas no mês passado. À época, o Gecex-Camex autorizou a aplicação de direito antidumping definitivo, por até cinco anos, às importações de aços pré-pintados da China e Índia, e o aumento das tarifas de importação, para 25%, por 12 meses, de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de aço, englobando laminados a quente, revestidos, trefilados, chapas, bobinas inoxidáveis e silicosas e fio-máquinas.
“Trata-se de um passo fundamental para promover maior equilíbrio competitivo e fortalecer toda a cadeia de valor da indústria brasileira”, afirmou.
“A Usiminas está preparada para aproveitar as oportunidades que esse novo contexto deverá gerar, atendendo a crescente demanda de seus clientes”, reiterou.
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