Usiminas registra prejuízo de R$ 2,9 bilhões em 2025
A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) teve prejuízo líquido de R$ 2,9 bilhões em 2025, de acordo com balanço divulgado nesta sexta-feira (13). Em 2024, o grupo de Ipatinga, no Vale do Aço, havia reportado lucro líquido de R$ 3,4 milhões.
O resultado negativo decorreu, principalmente, do reconhecimento de perda por impairment (desvalorização) de ativos no valor de R$ 2,2 bilhões, além do ajuste de R$ 1,4 bilhão relacionado à avaliação de recuperabilidade de impostos diferidos no terceiro trimestre, ambos sem efeito de caixa. Sem esses fatores, o resultado seria positivo em R$ 702 milhões.
Por outro lado, a empresa registrou Ebitda ajustado de R$ 2 bilhões, com aumento anual de 23,9%. A margem Ebitda chegou a 7,6%, com alta de 1,4 ponto percentual (p.p.).
A companhia também elevou em 1,5% a receita líquida, que totalizou R$ 26,3 bilhões. Esse resultado refletiu o crescimento de 27,2% da receita da unidade de mineração, que alcançou R$ 3,8 bilhões, enquanto a receita da siderurgia caiu 2%, somando R$ 23,1 bilhões.
O braço de mineração teve resultado positivo como consequência do maior volume vendido, dos menores descontos por diferenciais de preço e qualidade do material, da depreciação do real frente ao dólar e da maior participação das vendas com frete marítimo, de 60%. Esses fatores compensaram os menores preços do minério de ferro no mercado internacional.
Já o braço de siderurgia reportou resultado negativo devido à redução na receita líquida por tonelada, pressionada pela intensificação das importações. Isso neutralizou os ganhos obtidos no período com o maior volume de vendas de aço.
Vendas de minério de ferro batem recorde
No ano passado, a Usiminas produziu 9,2 milhões de toneladas de minério de ferro, o maior patamar anual da história da companhia. Em comparação com o exercício imediatamente anterior, o volume expandiu 12,3%, sobretudo devido ao melhor rendimento operacional.
Refletindo esse resultado, as vendas também bateram recorde, totalizando 9,6 milhões t, alta de 13,9%. Foram 7 milhões t exportadas (+22,1%) e 2,6 milhões t destinadas ao mercado interno (-3,6%), considerando operações próprias e de terceiros.
Crescimento nas vendas de aço é liderado pelo mercado externo
A produção de aço bruto da Usiminas em 2025 somou 3,2 milhões t, enquanto a de laminados chegou a 4,4 milhões t. Em relação a 2024, esses volumes representaram, respectivamente, queda de 3% e avanço de 1,2%.
Com avanço de 2,2%, as vendas também atingiram 4,4 milhões t, o segundo maior volume dos últimos dez anos. No entanto, esse crescimento concentrou-se nas exportações, que subiram 28,2%, para 432 mil toneladas, enquanto a quantidade negociada no mercado interno permaneceu estável em 3,9 milhões t, limitada pela importação de aço no Brasil.
“O ano de 2025 foi desafiador para a Usiminas e para todo o setor siderúrgico brasileiro, e a oportunidade de crescer e gerar renda e empregos para a população foi novamente perdida pelo alto volume de aço importado no País, em condições de competição desleal”, afirma a empresa em trecho do relatório de resultados.
Investimentos aumentam 10% e devem subir mais neste ano
O capex da Usiminas no ano passado ficou em R$ 1,2 bilhão, alinhado com a projeção feita pelo grupo em julho, de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão. Foram investidos R$ 1,1 bilhão na siderurgia (alta de 26,5% ante 2024) e R$ 135 milhões na mineração (-45,8%).
Para este ano, a empresa prevê investimentos entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão. A estimativa consta em fato relevante publicado também nesta sexta-feira.
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