Economia

Variação cambial e novo pacote de tarifas dos EUA impactam Gerdau indiretamente, diz CFO

CFO da companhia analisa como a desvalorização do dólar e novas tarifas dos EUA afetam as operações globais da empresa
Variação cambial e novo pacote de tarifas dos EUA impactam Gerdau indiretamente, diz CFO
Foto: Divulgação Gerdau

A combinação entre o novo pacote de tarifas comerciais dos Estados Unidos e a recente desvalorização global do dólar cria um cenário de impactos distintos para a Gerdau. Segundo o CFO da companhia, Rafael Japur, os efeitos variam conforme a geografia das operações da empresa, que hoje atua no Brasil e nos Estados Unidos, e exigem uma leitura cuidadosa tanto do câmbio quanto das mudanças na política comercial americana.

A Gerdau opera em duas frentes principais de atuação: Brasil e América do Norte. No caso da operação norte-americana, Japur explica que a desvalorização do dólar frente ao real tem impacto direto na conversão dos resultados. “Se o real vale mais frente ao dólar, aqueles dólares que eu gero de lucro nos Estados Unidos valem menos reais quando eu trago para cá. Do ponto de vista de análise de balanço, parece pior”, afirma.

No entanto, o executivo ressalta que, se este mesmo dólar for usado lá, “não é necessariamente algo pior para o negócio da América do Norte”. Segundo ele, um dólar mais fraco pode até reduzir a atratividade de importações no mercado americano, tornando o ambiente mais favorável para a produção local.

Já no Brasil, o cenário é diferente. A companhia exporta historicamente entre 20% e 25% da produção brasileira. Com o real mais valorizado, as exportações perdem competitividade e os produtos importados ganham espaço no mercado doméstico.

O CFO pondera, no entanto, que o movimento atual não é específico do Brasil, mas parte de uma desvalorização global do dólar frente a diversas moedas, como o euro, o iene, o yuan e o peso mexicano. “Não é só o brasileiro que está menos competitivo; é o egípcio, o chileno, o chinês. Quando todos sobem e descem juntos, o efeito competitivo se anula em parte”, explica. Segundo ele, o cenário seria mais preocupante caso houvesse uma valorização isolada do real.

Na avaliação do executivo, embora o real mais forte reduza a competitividade das exportações e aumente a pressão de importados no mercado doméstico, o fato de o dólar estar se desvalorizando frente a um conjunto amplo de moedas atenua parte do impacto relativo.

Novo tarifaço dos EUA deve produzir efeitos indiretos no aço

Em relação ao novo pacote de tarifas dos Estados Unidos, Japur avalia que o impacto direto sobre o aço tende a ser limitado no curto prazo. “Se pensar especificamente no aço, diretamente não haverá impactos”, afirma.

O efeito mais relevante pode vir de forma indireta, por meio de setores consumidores de aço. A expectativa anterior de tarifas mais elevadas poderia estimular um processo mais acelerado de reindustrialização nos EUA, com o retorno de fábricas ao território americano. Caso as tarifas sejam menos intensas do que o esperado, esse movimento pode ocorrer em ritmo mais lento.

“No longo prazo, talvez, não induza uma reindustrialização tão importante quanto antecipada”, diz o CFO, destacando que esse é um processo estrutural, de longo prazo.

Por outro lado, o novo desenho tarifário pode abrir oportunidades para a operação brasileira. Japur cita como exemplo a indústria de autopeças, cuja produção no Brasil é fortemente voltada à exportação para os Estados Unidos. “Esse repanorama das tarifas também pode ter efeitos positivos nas demais operações da Gerdau, mas com relação ao aço, especificamente, a gente não participa de nenhuma mudança”, afirma.

Dessa forma, para Japur, o cenário exige monitoramento constante das variáveis externas, mas não altera de forma estrutural a estratégia da companhia em seus dois principais mercados.

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