Com produção nacional, venda de eletrificados avança 76% em Minas Gerais no primeiro bimestre
O mercado de veículos elétricos e híbridos em Minas Gerais segue em ritmo acelerado de expansão. No primeiro bimestre de 2026, as vendas do segmento saltaram 76% frente aos dois primeiros meses do ano anterior, reflexo da ampliação de modelos com a chegada de novas marcas e da produção em território nacional.
Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Ao todo, o Estado comercializou 3.311 veículos entre janeiro e fevereiro deste ano, consolidando-se como o terceiro maior mercado do País, atrás apenas de São Paulo (14.757) e Distrito Federal (4.174).
Belo Horizonte segue como o principal motor de crescimento em Minas Gerais, registrando a venda de 1.876 unidades, o que representa uma alta de 58,2%. Além da Capital, importantes polos regionais, como Uberlândia e Juiz de Fora também registraram avanços, correspondendo juntas por cerca de 14% do mercado estadual.
O vice-presidente da ABVE, Thiago Sugahara, comenta que os resultados do início de 2026 surpreendem até os mais otimistas. Em fevereiro, a categoria ampliou a participação nos emplacamentos totais de veículos, saindo de 10% para 15% das vendas.
Além de ampliar a fatia no mercado, o dirigente chama atenção para o crescimento de 5% dos emplacamentos entre janeiro e fevereiro de 2026. “Mesmo com fevereiro tendo menos dias úteis e um período maior de feriados, registramos crescimento nas vendas. Na comparação interanual, o mercado praticamente dobrou de tamanho, reforçando a consistência do segmento”, afirma.
A ampliação, segundo o dirigente, é resultado da produção de eletrificados no Brasil, que aumentou com a adesão às novas tecnologias, chegada de novos players e maior oferta de produtos. Além de novas marcas, observa-se ainda que as montadoras tradicionais já começaram a se movimentar para oferecer produtos que competitivos se comparados aos novos entrantes.
“O crescimento em relação a 2025 é robusto, vem se mantendo em janeiro e fevereiro e ainda pode surpreender ao longo do ano”, ressalta Sugahara.
Além da ampliação nas vendas de veículos elétricos e híbridos, os eletropostos seguem ganhando espaço, tanto em Minas Gerais, quanto no País. Em fevereiro, as infraestruturas de recarga disponíveis totalizaram 21 mil unidades, um avanço de 24,7% em relação ao levantamento anterior, realizado em setembro do ano passado.
Do total, 1.131 estão em território mineiro, com destaque para Belo Horizonte (311), Uberlândia (93) e Contagem (76). “O crescimento de eletropostos é resultado direto do avanço dos híbridos plug-in e dos veículos elétricos, embora ainda não esteja evoluindo na mesma velocidade do mercado de eletrificados. É um ponto de atenção que precisa ser acompanhado”, avalia o dirigente.
Elétricos podem ganhar vantagem competitiva com conflitos no Oriente Médio
Os recentes conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel podem impactar na adoção de veículos elétricos e híbridos no Brasil. Embora o segmento já apresente competitividade diante dos preços atuais da gasolina e do etanol, a tendência é de ampliação nessa vantagem, caso a instabilidade geopolítica pressione o valor do petróleo no mercado internacional.
Segundo Sugahara, atualmente, a migração para a eletromobilidade já representa uma economia real de até 70% no custo por quilômetro rodado em comparação aos modelos a combustão. “Nos próximos meses, essa equação pode ser mais favorável se houver algum impacto no preço do combustivel pelo consumidor brasileiro”, destaca.
Enquanto os preços de combustíveis, como etanol e gasolina seguem instáveis, a matriz elétrica nacional, hoje quase 90% renovável, tende a se consolidar cada vez mais barata e sustentável. “Esse movimento já vem acontecendo e tende a acelerar o processo de eletrificação no Brasil. A infraestrutura baseada em fontes renováveis torna o País ainda mais competitivo”, complementa o dirigente.
No panorama global, o dirigente afirma que o Brasil consolidou uma participação de mercado em veículos híbridos e elétricos que já se equipara à dos Estados Unidos, embora ainda esteja distante dos líderes mundiais. Na China, por exemplo, os eletrificados já respondem por 50% das vendas de veículos novos, enquanto a Europa apresenta índices de adoção cada vez mais expressivos.
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