Economia

Vendas de combustíveis caem em Minas Gerais no 1º bimestre

Queda de 4,6% no bimestre não reflete ainda impacto do conflito no Oriente Médio, que promete alterar o cenário futuro
Vendas de combustíveis caem em Minas Gerais no 1º bimestre
Desempenho negativo no Estado no 1º bimestre não reflete os impactos do conflito no Oriente Médio, iniciado no dia 28 de fevereiro | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

As vendas de combustíveis pelas distribuidoras em Minas Gerais caíram 4,6% no primeiro bimestre de 2026 quando comparadas com o mesmo período do ano passado. A queda de 18,7% na comercialização do etanol, a maior dentre os combustíveis, influenciou o desempenho negativo no Estado que ainda não reflete os impactos do conflito no Oriente Médio. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No total, foram comercializados 2,6 milhões de metros cúbicos (m³) de combustíveis nos primeiros dois meses do ano em Minas Gerais, sendo 31,3% (828 mil m³) de gasolina. De acordo com o levantamento da ANP, com exceção dela, que teve alta de 7,9%, todos os demais combustíveis venderam menos no bimestre.

Enquanto as vendas do etanol caíram 18,7%, o óleo diesel vendeu 7,3% a menos que no primeiro bimestre do ano passado e o gás liquefeito de petróleo (GLP) teve queda de 3,6% no mesmo intervalo.

Na avaliação do especialista em combustíveis, Vitor Sabag, o comportamento do consumo em Minas segue o padrão nacional. “A maior parte da frota é bicombustível no Brasil. Então, quando o preço de um sobe, as pessoas tendem a consumir o outro”, observa.

Em Minas, o consumidor migrou para a gasolina de forma mais intensa que no Brasil. “Esse movimento acontece em função dos preços do etanol. Estamos no período entressafra e é comum o etanol aumentar no início do ano”, avalia.

Sabag, assim como o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, ressalta que estes dados ainda não trazem o impacto do conflito entre Estados Unidos (EUA) e Irã e refletem mesmo uma situação sazonal. “O conflito foi deflagrado no dia 28 de fevereiro quando o mercado já estava fechado, não impactando, dessa forma, em absolutamente nada os números”, diz o economista do BDMG.

Segundo Silva, a queda abrupta do etanol era esperada e motivada por um efeito sazonal. “Normalmente, o primeiro trimestre do ano depende das chuvas e do período de safra. Com menor oferta do produto, o preço encarece. Esse período se estende até o quarto mês do ano, quando os preços devem melhorar e consequentemente, as vendas”, diz.

De acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), citados por Silva, o preço do etanol aumentou em 22 das 27 unidades federativas pesquisadas. “Isso corrobora com os resultados e faz o etanol menos competitivo do que a gasolina”, destaca.

A oferta menor do etanol e a consequente alta dos preços, ajuda a explicar em parte, o bom desempenho da gasolina. “Esse cenário somado à redução aplicada no preço da gasolina pela Petrobras na última semana de janeiro, deixou a gasolina mais competitiva frente ao biocombustível”, diz.

Já no caso do diesel, Silva explica que o combustível está muito associado ao transporte de cargas e a queda de 7,3% nas negociações, pode ser explicada por um fevereiro com dias úteis menores do que o ano passado. “Este ano o Carnaval foi em fevereiro, isso faz com que a comercialização seja menor”, comenta.

Tendência é de alta no preço da gasolina e aumento de vendas do etanol

Para os próximos meses, Silva ressalta que é necessária uma revisão nas expectativas de consumo e vendas no Estado diante da nova dinâmica internacional de preços, alterada em função do conflito no Oriente Médio.

Segundo o especialista, as projeções feitas até fevereiro perderam validade com o agravamento do cenário externo. “Tudo que nós vimos até o mês de fevereiro não vale mais para o restante do ano, enquanto o conflito persistir”, afirma.

Com o conflito, os contratos futuros de commodities como o açúcar elevaram seus preços e já impactam os produtos comercializados. Fato que pode refletir em alta também no preço da gasolina, mudando o padrão de consumo dos mineiros. “A tendência é de substituição. Menos comercialização de gasolina e mais de etanol, ainda que estejamos em período de entressafra, já que a gasolina perde competitividade”, destaca o economista.

Outro efeito relevante deve ser sentido no mercado de diesel. Diferentemente de uma eventual escassez física do combustível, a previsão é de queda na demanda motivada por um comportamento mais cauteloso de empresas e consumidores.

“Não se trata de falta de diesel, mas de um racionamento natural. Com o aumento de preços e a percepção de risco na oferta, houve uma tendência de racionalização do consumo em março que deve ser retratada no próximo mês pela ANP”, explica.

A expectativa, segundo o economista do BDMG, é que os próximos levantamentos já indiquem redução no consumo geral de combustíveis no Estado, especialmente no diesel. “O movimento reflete uma adaptação do mercado à instabilidade internacional e pode ter impactos indiretos sobre setores como transporte, logística e indústria em Minas Gerais”, finaliza.

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