Economia

Volume de serviços em Minas cai 1,5% em janeiro, puxado por transportes

Pesquisa do IBGE mostra retração no setor em relação ao mesmo mês de 2025, influenciada principalmente pela queda nos transportes e nos serviços profissionais
Volume de serviços em Minas cai 1,5% em janeiro, puxado por transportes
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O volume de serviços em Minas Gerais registrou queda de 1,5% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, após também ter recuado 0,4% na comparação com dezembro do ano passado. Os números constam na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (13).

De acordo com o economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, o resultado do volume de serviços no Estado foi explicado, sobretudo, pela retração em transportes (-3%) e em serviços profissionais, administrativos e complementares (-4,8%). No entanto, o principal destaque positivo veio de outros serviços (15,5%), segmento que engloba, entre outras atividades, tratamento de esgoto, atividades auxiliares de serviços financeiros e serviços imobiliários.

Quanto aos demais grupos, também houve queda nos serviços prestados às famílias (-4,7%). Já as atividades de serviços de informação e comunicação registraram crescimento de 1%.

Segundo Pio, apesar de um mercado de trabalho aquecido e das medidas de estímulo à renda, que ajudam a sustentar a demanda, “o nível ainda elevado dos juros limita um avanço mais forte da atividade”.

Volume de serviços em Minas é inferior ao nacional

O resultado de Minas Gerais vai na contramão do resultado nacional, que registrou expansão de 3,3% em janeiro na comparação com o mesmo período de 2025 e marcou o 22º resultado positivo consecutivo.

Na comparação com dezembro, enquanto o volume de serviços no Estado caiu 0,4%, no Brasil as atividades avançaram 0,3%. O resultado fez o setor ficar em um patamar 20% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e se igualar, em janeiro de 2026, ao recorde da série histórica, alcançado em outubro e novembro do ano passado, conforme informações do IBGE.

Essa discrepância entre o resultado do Estado e o desempenho nacional pode ser explicada, segundo Pio, em parte, pelo desempenho do segmento de transportes, que exerceu a principal influência negativa na comparação interanual.

“As chuvas registradas no início do ano deterioraram as condições de algumas rodovias mineiras, o que afetou a logística e contribuiu para um início mais fraco da demanda por serviços de transporte”, afirma.

De acordo com o economista da Fiemg, o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) informou que houve redução entre 15% e 20% na demanda em relação ao ano passado, com retração mais significativa nos pedidos ligados à mineração e ao transporte de cargas secas.

“Além disso, o impacto desse movimento tende a ser mais relevante em Minas Gerais porque os serviços de transporte têm peso relativamente maior na estrutura do setor de serviços do Estado do que na média nacional”, explica Pio.

Juros altos devem continuar limitando a atividade

A performance negativa das atividades de serviços no Estado já era esperada, segundo o economista da Fiemg. Após um ano marcado por expansão mais moderada, a expectativa, segundo Pio, era de desaceleração da economia como um todo, sobretudo em um contexto ainda influenciado por condições financeiras restritivas.

“Embora haja perspectiva de redução da taxa básica de juros ao longo do ano, a Selic deve permanecer em patamares elevados, limitando uma aceleração mais intensa da atividade”, afirmou.

Além disso, a expectativa de menor dinamismo do setor agropecuário pode reduzir, segundo Pio, a demanda por transporte de cargas, segmento de grande peso na estrutura dos serviços tanto do Estado quanto do País.

Por outro lado, os serviços prestados às famílias devem oferecer sustentação parcial ao setor, apoiados pela manutenção de um mercado de trabalho ainda aquecido e por medidas de estímulo à renda.

Influência negativa no resultado do País

Ao analisar as atividades turísticas no Estado, na comparação entre janeiro de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, o volume de serviços apresentou recuo de 6,5%. O índice exerceu o principal impacto negativo do mês no resultado nacional, que avançou 3,5% na mesma base de comparação.

No entanto, em relação a dezembro, o índice do volume das atividades turísticas apontou certa estabilidade ao avançar 0,2% no Estado em janeiro.

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