XP muda estratégia de investimentos com mudança no cenário eleitoral

Gestora revisa alocação de portfólios diante de maior probabilidade de equilíbrio fiscal no Brasil e destaca diversificação internacional
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XP muda estratégia de investimentos com mudança no cenário eleitoral
O sócio e head de alocação da XP, Rodrigo Sgavioli. | Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

A mudança nas probabilidades dos cenários para a eleição presidencial de 2026 já começa a provocar ajustes nas estratégias de investimento, segundo o sócio e head de alocação da XP, Rodrigo Sgavioli. A avaliação foi apresentada a investidores nesta quinta-feira (8), no Espaço XP, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Segundo Sgavioli, a XP trabalhava até a semana passada com um portfólio construído sobre uma divisão praticamente equilibrada entre dois cenários: a continuidade da dinâmica fiscal brasileira e uma eventual mudança na trajetória das contas públicas. Com a alteração das probabilidades, entretanto, a gestora passou a ajustar a exposição dos portfólios. “Os cenários mudaram de probabilidade”, afirma.

Na avaliação do executivo, a dinâmica de uma economia e um ambiente fiscal mais equilibrado passou a ter entre 70% e 80% de probabilidade, o que justificaria uma adaptação gradual das carteiras.

Juros e bolsa

Para Sgavioli, a eventual melhora das expectativas fiscais pode favorecer a redução dos juros reais e nominais e diminuir os prêmios de risco dos ativos brasileiros. Nesse ambiente, a XP identifica espaço para valorização de títulos prefixados, além de oportunidades na renda variável e nos fundos imobiliários.

A preferência dentro dos fundos imobiliários está nos chamados fundos de tijolo, ou seja, ativos como galpões logísticos e shoppings. Os títulos indexados à inflação também continuam entre as alternativas consideradas estratégicas já que apresentam potencial de desempenho em diferentes cenários econômicos.

O executivo ressaltou, porém, que a mudança não significa uma orientação para aumentar indiscriminadamente o risco. Segundo ele, a XP elevou de 60% para 80% o chamado orçamento de risco utilizado nos portfólios, mas ainda está distante de uma exposição máxima.

Diversificação internacional

Sgavioli também reforçou a importância de manter investimentos no exterior, independentemente do resultado eleitoral. Para ele, a diversificação internacional não deve ser utilizada como uma aposta política e, sim, como uma estratégia estrutural de proteção patrimonial.

Entre os motivos citados estão a diversificação jurídica e cambial e o acesso a empresas e setores que não estão disponíveis no mercado brasileiro na mesma escala, como biotecnologia, farmacêuticas e segurança cibernética. “É importante você querer acessar empresas vencedoras do capitalismo global”, declara o executivo.

A estratégia, portanto, na opinião de Sgavioli, é combinar a exposição a ativos brasileiros que podem se beneficiar de uma eventual redução do prêmio de risco a investimentos internacionais, mantendo a diversificação diante das incertezas econômicas e eleitorais.

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Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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