Aluguel de ações vale a pena? Veja três motivos para considerar a estratégia
Embora exista há décadas no mercado financeiro brasileiro, o aluguel de ações ainda é pouco utilizado por investidores pessoa física. A estratégia, no entanto, pode representar uma forma de gerar renda adicional com ativos que já fazem parte da carteira, sem a necessidade de vendê-los.
De maneira simples, o aluguel de ações funciona como uma locação temporária de papéis. O investidor que possui os ativos, chamado de doador, empresta as ações para outro participante do mercado, o tomador, por um período determinado. A operação é intermediada pela Bolsa de Valores e, em troca, o doador recebe uma remuneração baseada em uma taxa anualizada proporcional ao tempo de aluguel.
Essa taxa varia conforme fatores como oferta e demanda pelo ativo, volatilidade e escassez do papel no mercado.
Segundo operador da mesa de aluguéis da Daycoval Corretora, Gabriel Sombra, o principal motivo para a baixa adesão é a falta de informação sobre a estratégia.
“Ainda existe o medo de ‘perder a ação’, a percepção de complexidade e o desconhecimento de que é possível gerar renda passiva sem vender o papel. É uma ferramenta madura, segura e capaz de gerar ganhos adicionais”, afirma.
Para quem deseja começar, o especialista recomenda observar pontos importantes, como as taxas cobradas pela corretora, prazos de contrato, remuneração oferecida e regras do Banco de Títulos CBLC (BTC). Também é fundamental entender a tributação: o imposto de renda é retido na fonte.
Além disso, a orientação é iniciar com posições menores, priorizar ações de empresas que o investidor pretende manter no longo prazo e acompanhar periodicamente os contratos e eventos corporativos.
A seguir, veja três razões que explicam por que o aluguel de ações pode ganhar espaço entre investidores nos próximos anos.
1. Pode gerar renda adicional com a carteira
O aluguel de ações pode se tornar uma fonte complementar de rendimento, principalmente para quem mantém uma carteira diversificada e com ativos disponíveis para empréstimo.
A remuneração varia conforme as condições do mercado, mas tende a ser mais significativa em papéis com alta demanda para operações de venda a descoberto, baixa liquidez ou maior volatilidade.
“Não é uma renda garantida, mas pode representar um ganho adicional consistente quando o investidor adota disciplina e reinveste os retornos”, explica Sombra.
2. O risco para quem empresta é menor do que muitos imaginam
Um dos principais mitos sobre a locação de ações é a ideia de que o investidor perde o ativo ao emprestá-lo. Na prática, isso não acontece.
“O investidor continua sendo o dono da ação e recebe de volta exatamente o que emprestou. O risco de mercado permanece o mesmo de quem simplesmente mantém o ativo na carteira”, destaca o especialista.
O principal ponto de atenção é que, enquanto o papel estiver alugado, ele não pode ser vendido imediatamente sem a notificação do contrato.
3. Pode ser integrada à estratégia de longo prazo
A locação de ações pode ser utilizada como complemento dentro de uma carteira voltada para o longo prazo, sem comprometer as decisões futuras do investidor.
Entre as recomendações estão priorizar ativos estáveis, evitar emprestar papéis quando houver interesse em participar de assembleias e manter parte da carteira disponível para eventuais ajustes.
“O aluguel deve funcionar como complemento, não como base da estratégia. Quando bem equilibrado, ajuda o investidor a extrair mais valor da mesma carteira que já possui”, afirma Sombra.
Perspectivas para 2026
Para os próximos anos, alguns perfis de ativos tendem a apresentar maior potencial de remuneração no aluguel de ações. Entre eles estão:
- Small caps mais voláteis e com baixa liquidez;
- Empresas muito vendidas no mercado;
- Setores cíclicos em momentos de incerteza econômica;
- Companhias com eventos corporativos relevantes previstos;
- Papéis que entrem ou saiam de índices da bolsa.
“O segredo é observar os sinais de procura pelos ativos. O mercado determina o preço do aluguel, e isso pode mudar rapidamente”, acrescenta.
Colaborador
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