Finanças

Otimismo financeiro cresce entre brasileiros, mas inflação ainda preocupa

Levantamento da TransUnion mostra aumento do otimismo entre todas as gerações, apesar de preocupações com inflação e juros
Otimismo financeiro cresce entre brasileiros, mas inflação ainda preocupa
Foto: Reprodução Adobe Stock

Os brasileiros começaram o ano de 2026 mais confiantes em relação às finanças pessoais e familiares. É o que revela o estudo Consumer Pulse, da TransUnion, empresa global de informação e insights. O levantamento aponta que o otimismo se espalha por todas as gerações, sobretudo na Geração Z: 76% afirmam que suas finanças melhoraram ou evoluíram conforme o planejado no último ano, enquanto 84% acreditam que a situação ficará ainda melhor nos próximos 12 meses.

Entre Millennials e Geração X, a percepção também é positiva. Cerca de 70% dos Millennials e 65% da Geração X relatam estabilidade ou melhora no controle do dinheiro, sinalizando um cenário de maior previsibilidade econômica no Brasil. No total, 73% dos entrevistados demonstram confiança nas finanças familiares ao longo de 2026.

O sentimento também é impulsionado pelo avanço da renda. Segundo o estudo, 39% dos consumidores registraram crescimento de ganhos nos últimos três meses, e 76% esperam novos aumentos ao longo do próximo ano, fator relevante para o planejamento financeiro e decisões de consumo.

Cautela também dita as finanças dos brasileiros

Mesmo com o otimismo, a cautela permanece. A inflação segue como a principal preocupação financeira, citada por 64% dos entrevistados, seguida pelas taxas de juros (52%) e pela segurança no emprego (47%). Apenas 39% acreditam que a renda conseguirá acompanhar o ritmo da inflação, o que reforça a necessidade de ajustes no orçamento.

Diante desse cenário, os brasileiros têm adotado medidas práticas para equilibrar as contas:

  • 47%: corte de despesas opcionais;
  • 66%: redução de gastos com restaurantes;
  • 56%: redução de gastos com delivery;
  • 54%: menos viagens e lazer;
  • 21%: cancelamento ou redução de serviços digitais, como TV e internet.

“O consumidor está mais confiante, mas também mais atento. Há esperança, porém acompanhada de planejamento e escolhas conscientes”, afirma a especialista de mercado do setor bancário da TransUnion Brasil, Helena Leite.

Crédito, dinheiro e qualidade de vida

O acesso ao crédito segue como peça-chave na economia doméstica. Para 59% dos entrevistados, o crédito é muito importante para alcançar objetivos financeiros. Entre os mais jovens, esse percentual sobe para 64% na Geração Z e 61% entre os Millennials. Além disso, 65% acreditam que o crédito pode gerar oportunidades concretas de melhoria da qualidade de vida, como empreender, comprar um imóvel ou investir em educação.

A confiança no acesso ao crédito também cresceu: 58% afirmam ter acesso suficiente a produtos financeiros, ante 51% no fim de 2024. Ainda assim, há diferenças relevantes entre as faixas de renda.

“O aumento da confiança é positivo, mas a desigualdade no acesso ao crédito mostra que ainda há espaço para ampliar a inclusão financeira”, destaca Helena Leite.

Para 2026, a expectativa é de maior movimentação no mercado de crédito. Cerca de 38% dos consumidores pretendem contratar ou refinanciar algum produto financeiro nos próximos 12 meses, com destaque para:

  • novos cartões de crédito (38%);
  • empréstimos pessoais (36%);
  • aumento do limite de crédito (30%).

Por fim, o cenário indica que, mesmo diante de desafios como inflação e juros, os brasileiros e suas finanças caminham juntos em uma trajetória de maior consciência, planejamento e busca por estabilidade econômica.

Colaborador

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