Finanças

Cheque não acabou: brasileiros ainda compensam mais de 112 milhões por ano

Mesmo com a popularização do Pix, o instrumento de pagamento segue em uso, principalmente em transações de maior valor
Cheque não acabou: brasileiros ainda compensam mais de 112 milhões por ano
Foto: Reprodução Adobe Stock

Mesmo com a digitalização dos pagamentos e a popularização do Pix, o cheque ainda é utilizado no Brasil, embora em ritmo cada vez menor. Um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que 112,5 milhões de cheques foram compensados em 2025, número 18,2% inferior ao registrado no ano anterior, quando 137 milhões foram compensados.

A queda é ainda mais expressiva na série histórica. Em 1995, primeiro ano do levantamento, foram compensados 3,3 bilhões de cheques. Hoje, a quantidade de transações feitas pelo papel representa uma retração de 96,62% em três décadas, o que mostra a substituição gradual da forma de pagamento analógica por meios digitais.

Os dados têm como base a Compe, serviço de compensação de cheques do sistema bancário. Em valores, o volume financeiro movimentado em 2025 somou R$ 472,7 bilhões, o que representa um recuo de 9,64% na comparação anual.

Apesar da redução na quantidade, o valor médio dos cheques aumentou. O tíquete médio passou de R$ 3.800,67 em 2024 para R$ 4.199,77 em 2025. Embora o cenário seja de queda, esse movimento indica que o instrumento permanece sendo usado principalmente em transações de maior valor, enquanto pagamentos cotidianos migraram para meios eletrônicos.

“A queda consistente no uso do cheque reflete a consolidação dos meios digitais no dia a dia do brasileiro, especialmente com o avanço do Pix. Ao mesmo tempo, o tíquete médio mais elevado mostra que o cheque segue sendo utilizado, principalmente, em transações de maior valor e em contextos específicos em que ainda fazem sentido para o cliente, como, por exemplo, a utilização como caução para uma compra”, afirma o diretor de Serviços e Segurança da Febraban, Raphael Mielle.

A série histórica mostra retração contínua do uso do cheque ao longo dos anos:

  • Até 2011 eram mais de 1 bilhão de compensações anuais
  • Em 2020, primeiro ano após a implementação do Pix, passaram para 287 milhões de compensações por ano
  • Em 2021 foram 218,9 milhões de compensações
  • Em 2022 foram 202,8 milhões de compensações
  • Em 2023 foram 168,6 milhões de compensações
  • Em 2024 foram 137,6 milhões de compensações
  • Em 2025 foram 112,5 milhões de compensações
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas