Cartão de crédito pode ser aliado das finanças se usado corretamente; veja cinco dicas
Embora seja apontado por especialistas como um dos grandes vilões das finanças pessoais, o cartão de crédito é visto como aliado no controle financeiro por boa parte dos brasileiros. É o que revela pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) em parceria com o Instituto Datafolha. Segundo o levantamento, 80% dos consumidores têm essa percepção da modalidade de pagamento.
O que ajuda a explicar esse número é o fato de 87% dos brasileiros optarem pelo pagamento integral da fatura no vencimento. Assim, evitam cair no temido crédito rotativo. Os dados referem-se às operações realizadas em 2024.
Dessa forma, entender que o cartão de crédito nada mais é do que uma compra a prazo, e não uma extensão da renda pessoal, é primordial, conforme explica o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos. “A maioria das mais de 70 milhões de pessoas inadimplentes no Brasil tem sua inadimplência originada do uso inadequado do cartão de crédito”, diz.
Como utilizar o cartão de crédito corretamente
Veja, a seguir, cinco dicas para aproveitar melhor o cartão de crédito e evitar as principais armadilhas desse recurso.
Defina limites compatíveis com a renda
O primeiro passo é estabelecer limites adequados ao orçamento familiar. Segundo Reinaldo Domingos, o limite do cartão de crédito não deve ultrapassar 30% do salário ou da renda mensal. Para quem possui apenas uma fonte de renda, a orientação é manter apenas um cartão.
Mesmo com limite alto disponível, é imprescindível entender que não se deve acumular compromissos que não possam ser honrados na data de vencimento. É preciso fazer uma análise prévia da capacidade de pagamento.
Evite o parcelamento excessivo
Embora o parcelamento sem juros seja atrativo, é necessário cautela para não comprometer excessivamente o orçamento futuro. Assim, antes de parcelar qualquer compra, é preciso ter consciência de que isso trará custos mensais adicionais além das despesas já existentes.
O acúmulo de compras parceladas compromete o controle das finanças pessoais, já que as prestações se sobrepõem e acabam se confundindo com os gastos correntes. Ter um orçamento pessoal é fundamental.
Fuja sempre do crédito rotativo
Esse, sem dúvida, é um dos maiores erros relacionados ao cartão de crédito, que ocorre quando é pago apenas o valor mínimo da fatura. De acordo com o Banco Central, o juro médio do rotativo atingiu 455,1% ao ano em maio, com inadimplência de 54% no mesmo período.
Também é aconselhável evitar novos empréstimos, como cheque especial ou crédito pessoal, para quitar dívidas do cartão. A prática agrava a situação financeira, reduzindo a renda disponível. Domingos destaca que, caso não seja possível quitar a fatura total, deve-se buscar “outra linha de crédito que não ultrapasse 2,5% ao mês”.
Organize gastos e aproveite benefícios
Segundo a Abecs, 70% das pessoas reconhecem que o cartão ajuda na organização dos gastos durante o mês, já que todas as compras ficam registradas em um único extrato.
Os benefícios adicionais, como programas de milhas e cashback, devem ser aproveitados de forma consciente. A pesquisa também mostra que 76% dos consumidores consideram vantajoso o acúmulo de pontos, mas é importante ficar atento aos prazos de validade desses benefícios.
Cartão internacional exige cuidados especiais
A recomendação é que os cartões internacionais sejam utilizados apenas por quem já possui gerenciamento eficiente do orçamento mensal, evitando que se tornem vilões das finanças pessoais. Isso porque as compras são convertidas para a moeda do titular, conforme a taxa de câmbio registrada na data de liquidação da transação. Há também a cobrança de tarifa de conversão de moeda estrangeira e IOF, que pode chegar a 3,5%.
Colaborador
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