Finanças

Empréstimos consignados e cartões de crédito lideram reclamações no Procon Assembleia

Dados apresentados na ALMG mostram que endividamento domina as queixas dos consumidores; consignados e cartões somam 14% das reclamações registradas em 2025
Empréstimos consignados e cartões de crédito lideram reclamações no Procon Assembleia
Foto: Reprodução Adobe Stock

O endividamento foi apontado como o principal motivo de procura de consumidores e contribuintes no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no ano passado. Do total de reclamações formalizadas pelo órgão público, 14% se referiam a empréstimos consignados e cartões de crédito. Os dados foram apresentados na reunião da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte nesta semana.

De acordo com o coordenador do órgão, Marcelo Barbosa, em 2025, o Procon Assembleia realizou 10.618 atendimentos aos consumidores, entre atendimentos presenciais e por telefone.

Além disso, o órgão atingiu uma marca histórica no ano passado: mais de 2 milhões de atendimentos acumulados desde 1997, quando foi criado, considerando todos os serviços prestados, como audiências de conciliação, orientações, consultorias, respostas a e-mails e atendimento direto aos consumidores.

A apresentação do relatório ocorreu na mesma semana em que se celebram os 35 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor, marco considerado simbólico por Barbosa: “É uma data muito especial para todos os Procons do País”.

Marcelo Barbosa
Marcelo Barbosa apresenta os resultados de 2025 do Procon Assembleia | Reprodução/ Youtube ALMG

Dos mais de 10 mil atendimentos realizados no ano passado, 2,8 mil reclamações foram formalizadas. Os casos mais recorrentes envolvem empréstimos consignados (206) e cartões de crédito (194), que lideram o ranking de reclamações.

Entre os problemas registrados nos consignados estão consumidores que não conseguem arcar com os pagamentos e casos de contratações feitas sem autorização, muitas vezes associadas a golpes. Já no cartão de crédito, quase a totalidade das reclamações está relacionada à incapacidade de quitar a fatura. “Como virou dívida, o Procon entra na parte de tentar negociar a fatura”, explica Barbosa.

Superendividamento motiva criação de núcleo especializado

Para enfrentar o aumento do endividamento, o Procon Assembleia apresentou ao fórum técnico de defesa do consumidor da Assembleia a proposta de criação de um núcleo especializado de atendimento ao consumidor superendividado.

A iniciativa foi acolhida e deverá ser detalhada em reunião prevista para o próximo dia 17 de março. A proposta é que o novo núcleo ofereça atendimento específico para pessoas em situação de superendividamento, com orientação e negociação de dívidas.

Segundo o coordenador, o endividamento domina as reclamações dos Procons do País. De cada 10 pessoas que procuram os Procons atualmente, sete estão com problemas relacionados a dívidas. “A maioria são pessoas idosas, aposentados e pensionistas”, detalhou.

Pelo terceiro ano consecutivo, Copasa ultrapassa a Cemig em número de reclamações

Entre os atendimentos relacionados aos serviços públicos, a Copasa se destaca pelo terceiro ano consecutivo ao superar a Cemig no ranking de queixas registradas no Procon Assembleia.

Segundo o relatório, as principais reclamações envolvendo as duas concessionárias estão relacionadas à suspensão do fornecimento de serviços e a contas consideradas excessivamente altas pelos consumidores.

No caso das faturas elevadas, o problema pode estar ligado a erro de leitura, consumo elevado ou vazamentos nas residências. Barbosa afirmou que o órgão pretende ampliar o diálogo com a Copasa para buscar soluções que reduzam os conflitos com os consumidores. “Estamos trabalhando isso com a Copasa. Já temos uma reunião agendada com a empresa para estreitar os laços e melhorar o atendimento ao consumidor”, afirmou.

Conforme o ranking, o combo telefonia, TV por assinatura e internet assume a liderança das reclamações. Em segundo lugar estão as reclamações referentes à telefonia celular, seguidas de água e esgoto. Em quarto lugar vem a energia elétrica e, por último, a internet.

Durante a reunião, o deputado Charles Santos (Republicanos) ressaltou o trabalho do Procon e afirmou que os dados apresentados ajudam os parlamentares a legislar. “Esses números demonstram a insatisfação da população quanto aos serviços prestados e aos problemas vividos no dia a dia. Isso nos ajuda a legislar, nos norteia e nos dá condição de pautar e criar projetos”, disse.

Alto índice de acordos

Outro destaque do relatório de atividades apresentado pelo coordenador Marcelo Barbosa foi o índice de 84% de acordos nas demandas apresentadas ao Procon Assembleia. Isso significa que 84 em cada 100 casos foram resolvidos por meio de conciliação, sem necessidade de judicialização.

“É um dado extremamente gratificante. O acordo extrajudicial evita processos e permite uma solução mais rápida para consumidores e fornecedores”, afirmou Barbosa.

Apoio à criação de Procons municipais

Entre os trabalhos prestados pela instituição, o coordenador do Procon destacou o apoio técnico às Câmaras Municipais interessadas em criar o Procon municipal.

“Dos 11 municípios que pediram consultoria, dois se transformaram em Procons: Coimbra, na Zona da Mata, e Bonfim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte”, comemorou Barbosa.

Além do Procon, o chamado Espaço Cidadania da Assembleia reúne outros serviços públicos voltados à população, como postos do Sistema Nacional de Emprego, emissão de documentos e atendimento da Defensoria Pública.

Segundo o coordenador, a integração desses órgãos contribui para ampliar o acesso da população a serviços essenciais e fortalecer as políticas de cidadania promovidas pela Assembleia.

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