Copasa integra nova carteira do Ibovespa B3 e se torna a décima empresa mineira no indicador
A partir desta segunda-feira (5), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) passa a integrar a nova carteira do Ibovespa B3, principal indicador de desempenho das ações mais negociadas da Bolsa de Valores brasileira. A estatal é a décima empresa mineira presente na lista e terá peso de 0,351%.
A nova composição do Ibovespa foi confirmada na terceira prévia da carteira, divulgada em 23 de dezembro de 2025, e vigora até 30 de abril deste ano. O índice passa a contar com 82 papéis de 79 empresas brasileiras. Vale ressaltar que ele possui ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) de uma mesma companhia, o que explica o número elevado de ativos.
O analista de ações da Suno Research, Bernardo Viero, lembra que o investidor estrangeiro, que vê o Brasil como um pequeno nicho dentro de uma subdivisão menor de mercados emergentes, dificilmente terá predisposição para analisar as empresas separadamente. Portanto, a entrada em carteiras de índices como o Ibovespa B3 contribui para a atração desse tipo de investidor.
“Assim, ao entrar no Ibovespa, a empresa aumenta as chances de atrair capital externo, que quando quer alocar aqui normalmente busca a cesta composta pelo principal índice”, diz.
Em comunicado ao mercado, divulgado nessa segunda-feira (5), a Copasa destaca que a entrada na carteira do Ibovespa B3 marca o reconhecimento e o compromisso da empresa com a geração de valor, “sendo um importante vetor para maior liquidez de suas ações na B3 e de sua visibilidade no mercado”, acrescenta.
Além da entrada das ações ordinárias da estatal mineira, a B3 também confirmou a saída da CVC Brasil, com o mesmo tipo de ativo, da carteira do Ibovespa. Essas foram as únicas alterações realizadas na lista. De acordo com a Bolsa de Valores, o principal critério para definir se um papel será incluído ou não no indicador é a liquidez, ou seja, a capacidade da ação ser comprada ou vendida rapidamente pelos investidores.
O Ibovespa B3 reúne os ativos com maior volume negociado no pregão da bolsa brasileira e serve de referência para investimentos como os Exchange Traded Funds (ETFs), que são fundos de investimento listados em bolsa e que replicam o desempenho de um índice de referência, além dos contratos futuros de Ibovespa e das opções sobre o índice.
Privatização da Copasa e demais empresas mineiras no Ibovespa

A entrada da Copasa na carteira ocorre menos de um mês após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sancionar a Lei nº 25.664/2025, que autoriza o Poder Executivo a adotar as medidas necessárias à desestatização da empresa.
O governo quer utilizar os recursos obtidos com a operação na amortização da dívida com a União ou no cumprimento de outras obrigações no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal.
Viero destaca que o interesse dos investidores pelos papéis da empresa disparou devido ao processo de privatização da estatal. Esse crescimento fez com que a liquidez subisse até preencher os requisitos que faltavam no critério para integrar o índice.
“Para entrar no Ibovespa, além da presença em pelo menos 95% dos pregões do último ano, a empresa precisa estar dentro do bolo que preenche 85% do volume negociado em bolsa”, explica.
Plano de investimento
A estatal mineira também divulgou, no mês passado, um novo plano de investimentos que prevê o aporte de R$ 3,1 bilhões ao longo de 2026 e mais R$ 17,9 bilhões entre 2027 e 2030. Ao todo, a companhia planeja investir cerca de R$ 21 bilhões no Estado.
- Leia também: Com privatização autorizada, Copasa anuncia R$ 21 bi em investimentos para os próximos cinco anos
Além da companhia do setor de saneamento, outras nove empresas de capital aberto com sede em Minas também possuem papéis que integram a carteira do Ibovespa B3. Entre elas, as ações ordinárias da Localiza&Co apresentam a maior participação, com peso de 1,816%. A empresa de locação e venda de veículos também conta com ações preferenciais no indicador, com peso de 0,065%.
Empresas mineiras presentes na carteira do Ibovespa B3:
- Copasa;
- Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig);
- Localiza&Co;
- Grupo Energisa;
- CSN Mineração;
- Cogna Educação;
- Direcional Engenharia;
- Azzas 2154;
- Usiminas;
- MRV.
Entrada na carteira do ICO2 B3 e de outros seis índices

A Copasa também integrará, a partir deste ano, a carteira de outros sete indicadores na Bolsa brasileira, além do Ibovespa B3, são eles: Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3), Índice Brasil Broad Capitalization (IBBC), Ibovespa B3 BR+ Equal Weight (IBBE), Ibovespa B3 BR+ (IBBR), Ibovespa B3 Estatais (IBEE), Ibovespa B3 Equal Weight (IBEW) e o Ibovespa Smart Dividendos (IB SD).
O ICO2 B3 é uma das principais referências quanto a transição energética no Brasil. O indicador reúne as empresas com melhor desempenho na gestão de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e demais práticas sustentáveis. A Cogna foi outra companhia mineira que passou a fazer parte desta lista.
O analista de ações da Suno Research pontua que o fortalecimento dos filtros para o ICO2 colocados em 2025 previne a ocorrência do greenwashing, que é a estratégia voltada para a criação de uma falsa imagem de sustentabilidade de uma determinada empresa.
Entre as exigências, Bernardo Viero menciona a de que as companhias estejam no corte dos 75% mais eficientes de seus respectivos setores na relação entre emissão e receita, além de possuirem um robusto score de gestão. Todos esses pontos devem ser devidamente comprovados pelas empresas. “Esse ingresso também ajuda na atração de capital”, completa.
A Copasa lidera o ranking entre as empresas do setor de água e saneamento como a mais eficiente na gestão de emissões e compromisso com um futuro de baixo carbono. Ela apresentou um coeficiente emissão/receita de 0,08532.
“Essa conquista posiciona a companhia como referência no setor, alinhada às metas globais de transição energética e ao Acordo de Paris”, destaca a companhia em nota enviada ao Diário do Comércio.
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