Finanças

Copasa integra nova carteira do Ibovespa B3 e se torna a décima empresa mineira no indicador

Estatal mineira entra no principal índice da Bolsa brasileira com peso de 0,351%, enquanto composição do indicador vigora até abril
Atualizado em 6 de janeiro de 2026 • 09:51
Copasa integra nova carteira do Ibovespa B3 e se torna a décima empresa mineira no indicador
Foto: Divulgação Copasa

A partir desta segunda-feira (5), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) passa a integrar a nova carteira do Ibovespa B3, principal indicador de desempenho das ações mais negociadas da Bolsa de Valores brasileira. A estatal é a décima empresa mineira presente na lista e terá peso de 0,351%.

A nova composição do Ibovespa foi confirmada na terceira prévia da carteira, divulgada em 23 de dezembro de 2025, e vigora até 30 de abril deste ano. O índice passa a contar com 82 papéis de 79 empresas brasileiras. Vale ressaltar que ele possui ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) de uma mesma companhia, o que explica o número elevado de ativos.

O analista de ações da Suno Research, Bernardo Viero, lembra que o investidor estrangeiro, que vê o Brasil como um pequeno nicho dentro de uma subdivisão menor de mercados emergentes, dificilmente terá predisposição para analisar as empresas separadamente. Portanto, a entrada em carteiras de índices como o Ibovespa B3 contribui para a atração desse tipo de investidor.

“Assim, ao entrar no Ibovespa, a empresa aumenta as chances de atrair capital externo, que quando quer alocar aqui normalmente busca a cesta composta pelo principal índice”, diz.

Em comunicado ao mercado, divulgado nessa segunda-feira (5), a Copasa destaca que a entrada na carteira do Ibovespa B3 marca o reconhecimento e o compromisso da empresa com a geração de valor, “sendo um importante vetor para maior liquidez de suas ações na B3 e de sua visibilidade no mercado”, acrescenta.

Além da entrada das ações ordinárias da estatal mineira, a B3 também confirmou a saída da CVC Brasil, com o mesmo tipo de ativo, da carteira do Ibovespa. Essas foram as únicas alterações realizadas na lista. De acordo com a Bolsa de Valores, o principal critério para definir se um papel será incluído ou não no indicador é a liquidez, ou seja, a capacidade da ação ser comprada ou vendida rapidamente pelos investidores.

O Ibovespa B3 reúne os ativos com maior volume negociado no pregão da bolsa brasileira e serve de referência para investimentos como os Exchange Traded Funds (ETFs), que são fundos de investimento listados em bolsa e que replicam o desempenho de um índice de referência, além dos contratos futuros de Ibovespa e das opções sobre o índice.

Privatização da Copasa e demais empresas mineiras no Ibovespa

Espaço B3.
Foto: Divulgação B3

A entrada da Copasa na carteira ocorre menos de um mês após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sancionar a Lei nº 25.664/2025, que autoriza o Poder Executivo a adotar as medidas necessárias à desestatização da empresa.

O governo quer utilizar os recursos obtidos com a operação na amortização da dívida com a União ou no cumprimento de outras obrigações no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal.

Viero destaca que o interesse dos investidores pelos papéis da empresa disparou devido ao processo de privatização da estatal. Esse crescimento fez com que a liquidez subisse até preencher os requisitos que faltavam no critério para integrar o índice.

“Para entrar no Ibovespa, além da presença em pelo menos 95% dos pregões do último ano, a empresa precisa estar dentro do bolo que preenche 85% do volume negociado em bolsa”, explica.

Plano de investimento

A estatal mineira também divulgou, no mês passado, um novo plano de investimentos que prevê o aporte de R$ 3,1 bilhões ao longo de 2026 e mais R$ 17,9 bilhões entre 2027 e 2030. Ao todo, a companhia planeja investir cerca de R$ 21 bilhões no Estado.

Além da companhia do setor de saneamento, outras nove empresas de capital aberto com sede em Minas também possuem papéis que integram a carteira do Ibovespa B3. Entre elas, as ações ordinárias da Localiza&Co apresentam a maior participação, com peso de 1,816%. A empresa de locação e venda de veículos também conta com ações preferenciais no indicador, com peso de 0,065%.

Empresas mineiras presentes na carteira do Ibovespa B3:

  • Copasa;
  • Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig);
  • Localiza&Co;
  • Grupo Energisa;
  • CSN Mineração;
  • Cogna Educação;
  • Direcional Engenharia;
  • Azzas 2154;
  • Usiminas;
  • MRV.

Entrada na carteira do ICO2 B3 e de outros seis índices

Obras da copasa em Minas Gerais
Foto: Divulgação/Copasa

A Copasa também integrará, a partir deste ano, a carteira de outros sete indicadores na Bolsa brasileira, além do Ibovespa B3, são eles: Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3), Índice Brasil Broad Capitalization (IBBC), Ibovespa B3 BR+ Equal Weight (IBBE), Ibovespa B3 BR+ (IBBR), Ibovespa B3 Estatais (IBEE), Ibovespa B3 Equal Weight (IBEW) e o Ibovespa Smart Dividendos (IB SD).

O ICO2 B3 é uma das principais referências quanto a transição energética no Brasil. O indicador reúne as empresas com melhor desempenho na gestão de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e demais práticas sustentáveis. A Cogna foi outra companhia mineira que passou a fazer parte desta lista.

O analista de ações da Suno Research pontua que o fortalecimento dos filtros para o ICO2 colocados em 2025 previne a ocorrência do greenwashing, que é a estratégia voltada para a criação de uma falsa imagem de sustentabilidade de uma determinada empresa.

Entre as exigências, Bernardo Viero menciona a de que as companhias estejam no corte dos 75% mais eficientes de seus respectivos setores na relação entre emissão e receita, além de possuirem um robusto score de gestão. Todos esses pontos devem ser devidamente comprovados pelas empresas. “Esse ingresso também ajuda na atração de capital”, completa.

A Copasa lidera o ranking entre as empresas do setor de água e saneamento como a mais eficiente na gestão de emissões e compromisso com um futuro de baixo carbono. Ela apresentou um coeficiente emissão/receita de 0,08532.

“Essa conquista posiciona a companhia como referência no setor, alinhada às metas globais de transição energética e ao Acordo de Paris”, destaca a companhia em nota enviada ao Diário do Comércio.

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