Copom vê melhora da inflação e expectativas mais próximas da meta para cortar juros em março
O Copom (Comitê de Política Monetária) reforçou o plano de iniciar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, em março, depois de ver a melhora da inflação e a aproximação das expectativas em direção à meta de 3%, mostrou ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (3).
O colegiado do BC, contudo, disse que todos os membros concordaram sobre a necessidade de manter a taxa básica (Selic) em um patamar elevado até que se consolide o processo de desinflação e convergência das expectativas ao alvo. O comitê ressaltou o dinamismo do mercado de trabalho entre os fatores que pressionam os preços.
“O comitê se aprofundou na discussão sobre calibração da política monetária, no contexto atual de um ambiente de melhora do cenário inflacionário corrente e expectativas de inflação menos distantes da meta, que proporciona maiores evidências sobre a transmissão da política monetária”, afirmou.
“O comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião. Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos”, acrescentou.
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Na avaliação do Copom, a condução cautelosa da política de juros tem contribuído para o recuo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Na última quarta-feira (28), o Copom manteve inalterada a Selic em 15% ao ano pela quinta reunião seguida. Apesar da sustentação dos juros, indicou que prevê dar início ao ciclo de queda da taxa básica no encontro seguinte, em março.
Na ata, o colegiado do BC não sinalizou qual será a intensidade dos cortes e a duração do ciclo de flexibilização dos juros, evitando se comprometer antecipadamente com um ritmo específico. Na avaliação do Copom, os sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificaç ão de tendências claras.
“O comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”, afirmou.
No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação para este ano caiu ligeiramente de 3,5% para 3,4%. Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o colegiado já trabalha com a inflação do terceiro trimestre de 2027 na mira. A estimativa do comitê nesse horizonte de tempo ficou em 3,2%, ao redor do centro da meta.
O encontro teve quórum reduzido, com a saída dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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