Desembolsos do BNDES para Minas caem 39% no semestre; agro lidera repasses
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 3,72 bilhões para Minas Gerais no primeiro semestre deste ano, uma queda de 38,9% em relação ao mesmo período de 2024, quando o Estado recebeu R$ 6,09 bilhões. Com esse valor, Minas responde por cerca de 6,8% dos desembolsos nacionais, que somaram R$ 54,58 bilhões.
O Estado foi o quinto mais beneficiado pelos desembolsos, ficando atrás de:
- São Paulo, que recebeu R$ 13,77 bilhões,
- Rio Grande do Sul, que recebeu R$ 10,74 bilhões e foi assolado por uma tragédia climática no ano passado,
- Paraná, que obteve R$ 4,59 bilhões,
- e Santa Catarina, onde foram desembolsados R$ 4,42 bilhões.
Agro foi o setor mais beneficiado em Minas
O setor mais beneficiado em Minas foi o de agropecuária, que recebeu R$ 1,2 bilhão, equivalente a 32% do total. Em seguida vieram comércio e serviços, com R$ 1,05 bilhão (28%); infraestrutura, com R$ 914 milhões (24,5%); e indústria, com R$ 554 milhões (14,9%).
Outro subsetor que sofreu forte retração foi o de energia elétrica, que havia recebido R$ 1,8 bilhão no primeiro semestre de 2024 e passou a R$ 132 milhões neste ano, uma queda de 92%.
Da mesma forma, outro subsetor que teve queda relevante dos desembolsos foi o de energia elétrica que havia recebido R$ 1,8 bilhão em 2024 no primeiro semestre, e no mesmo período deste ano, foi contemplado com R$ 132 milhões, uma redução de 92%.
Empresas de médio porte concentram mais recursos em Minas
As empresas de médio porte concentraram a maior parte dos recursos (39,4%), com R$ 1,46 bilhão. As grandes receberam R$ 1,41 bilhão (38%). As pequenas ficaram com R$ 621 milhões (16,7%) e as micro, com R$ 216 milhões (5,8%).
As principais linhas de crédito em Minas foram:
- BNDES Finame (R$ 2 bilhões);
- BNDES Automático (R$ 875 milhões);
- BNDES Finem (R$ 264 milhões);
- BNDES Máquinas e Serviços (R$ 203 milhões).
As demais modalidades, como BNDES Crédito Rural, BNDES Mercado de Capitais, BNDES Crédito Exim, Cartão BNDES, BNDES Crédito Digital e BNDES Não Reembolsável, responderam pelo restante dos créditos.
Em nota, o BNDES esclarece que os valores de desembolso dependem da velocidade de evolução física e financeira dos projetos apoiados, estando sujeitos a variações mais intensas em períodos curtos. E que por isso, pode ser desejável usar comparações entre períodos mais largos.
Nos dois anos e meio de janeiro de 2023 a junho de 2025, o BNDES desembolsou um total de R$ 25,5 bilhões para Minas Gerais (média anual de R$ 10,2 bilhões). Número que é superior ao volume desembolsado nos três anos anteriores completos, de 2020 a 2022, que foi de R$ 20,5 bilhões (média anual de R$ 6,8 bilhões).
Desembolsos aumentaram no País
No cenário nacional, os desembolsos do BNDES cresceram 10,5% e chegaram a R$ 54,5 bilhões: R$ 5,2 bilhões a mais que os R$ 49,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
No País, diferentemente de Minas, a infraestrutura foi o setor mais beneficiado, com R$ 18 bilhões (33% do total). Em seguida vieram a agropecuária, com R$ 13,9 bilhões (25%); a indústria, com R$ 12,3 bilhões (22,7%); e comércio e serviços, com R$ 10,2 bilhões (19%).
Quanto ao porte das empresas, o cenário nacional também difere do mineiro. No País, as grandes empresas concentraram 55,5% dos desembolsos, somando R$ 30 bilhões. As médias ficaram com 25% (R$ 13,5 bilhões), enquanto as pequenas e micro empresas responderam pelo restante: R$ 6,6 bilhões e R$ 4,1 bilhões, respectivamente.
Aprovações de crédito aumentam no Estado
Segundo informações do BNDES, as aprovações de crédito para Minas Gerais no 1º semestre de 2025 alcançaram R$ 8 bilhões. O valor aprovado para o Estado foi 35% superior ao aprovado no mesmo período de 2024.
Os recursos aprovados em 2025 para Minas gerais, segundo as dados, divulgados na última quinta-feira (21), beneficiaram todos os setores da economia, como agropecuária (R$ 1,78 bilhão), comércio e serviços (R$ 1,6 bilhão), indústria (R$ 1,67 bilhão) e infraestrutura (R$ 3 bilhões). Micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) foram responsáveis por R$ 4,45 bilhões do crédito aprovado, o que corresponde a 55,1% do total, e a um aumento de 20,7% ante 2024. Destaque para o aumento de 175% no volume de crédito aprovado para infraestrutura na comparação com o mesmo período de 2024.
Neste semestre, o BNDES aprovou ainda um dos maiores financiamentos para infraestrutura de transporte no Estado. Foram R$ 7,3 bilhões para a EcoRioMinas investir em três rodovias federais que ligam Minas ao Rio de Janeiro. Além disso, o Banco está financiando um parque de usinas fotovoltaicas em Arinos, no valor de R$ 1 bi.
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