Dólar vai a R$ 5,22 em dia negativo para divisas emergentes
Após trocas de sinal pela manhã, o dólar se firmou em alta frente ao real ao longo da tarde desta terça-feira (18), alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, e fechou pelo terceiro pregão consecutivo acima de R$ 5,20. O dia foi marcado por certa aversão ao risco lá fora, com a manutenção do petróleo tipo Brent acima da linha de US$ 90 o barril, diante das incertezas sobre o conflito no Oriente Médio.
Com máxima de R$ 5,2221 na reta final dos negócios, o dólar à vista encerrou a sessão a R$ 5,2216, avanço de 0,39%. Na segunda-feira, a divisa fechou em baixa de 0,36%, interrompendo uma sequência de cinco pregões consecutivos de alta. Após desvalorização de 1,79% em julho, a moeda acumula em agosto ganhos de 2,98%. No ano, as perdas são de 4,87%.
O economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, observa que, apesar da continuidade do movimento de saída de recursos da bolsa brasileira, o fluxo cambial não mostra um quadro de crise. “O peso crescente do risco eleitoral, contudo, corrobora nossa previsão de um dólar ainda superior a R$ 5,167”, afirma Velho.
As cotações do petróleo fecharam em leve alta, com o aumento das tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça que “não há conversas ou negociações” em andamento com o Irã e publicou uma imagem de Ormuz como território americano. O contrato do Brent para outubro, referência para a Petrobras, subiu 0,17%, a US$ 91,02 o barril.
Apesar da alta da commodity, que, em tese, traz uma melhora dos termos de troca do país e da perspectiva de fluxo comercial, não há apetite pelo chamado “trade do petróleo” com o real – seja pelo aumento da aversão ao risco no exterior, seja pela cautela com a proximidade da eleição presidencial.
“O real não tem respondido nestes dias de forma positiva à alta do petróleo e à queda do DXY”, afirma o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, ressaltando que, do ponto de vista técnico, R$ 5,30 representa um nível de resistência.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou com ligeiro viés de alta ao longo do dia e rondava os 99,640 pontos por volta das 17h. Após uma safra de indicadores mais fracos de atividade e inflação nos EUA, as atenções se voltam amanhã para a divulgação da ata do encontro de política monetária do Federal Reserve em julho, que deve confirmar a divisão dentro do BC americano sobre a necessidade de um aperto monetário.
O chefe de estratégia global de mercados do banco ING, Chris Turner, pondera, em nota, que a alta nos preços de energia tende a impulsionar o dólar, seja pela “independência energética dos EUA”, seja por estimular apostas em alta de juros pelo Fed. O avanço recente das taxas dos Treasuries longos, em ambiente marcado por estresse nos mercados globais de juros, também exerce pressão sobre as divisas emergentes, acrescenta Turner.
Conteúdo distribuído por Agência Estadão
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