Finanças

Dólar fecha perto da estabilidade no Brasil, mas na menor cotação em quase 21 meses

O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,14%
Dólar fecha perto da estabilidade no Brasil, mas na menor cotação em quase 21 meses
foto: Luisa Gonzalez / Reuters

Após oscilar abaixo dos R$ 5,14 no fim da manhã, o dólar se recuperou ante o real e fechou a segunda-feira (23) praticamente estável, ainda assim na menor cotação em quase 21 meses, enquanto no exterior a moeda norte-americana cedia ante boa parte das demais divisas.

O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,14%, aos R$ 5,1693, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539. No ano, a moeda acumula agora queda de 5,82%.

Às 17h05, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,21% na B3, aos R$ 5,1750.

No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no território positivo no Brasil, com alguns investidores realizando lucros recentes, mas o movimento perdeu fôlego rapidamente, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda.

“Lá fora, algumas moedas de emergentes e exportadores de commodities viraram também, passando a ganhar do dólar, como o real”, comentou no fim da manhã o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Aqui também tem fluxo, com o exportador vendendo (dólar) quando bateu em R$ 5,18 ou R$ 5,17”, acrescentou.

Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$ 5,1919 (+0,30%) às 9h26, o dólar à vista cedeu à mínima de R$5,1392 (-0,72%) às 11h50, no momento de maior força no dia para os ativos brasileiros, com o Ibovespa chegando a superar os 191 mil pontos.

No fim da sessão, porém, a divisa se reaproximou da estabilidade ante o real.

O recuo visto mais cedo do dólar ante o real ocorreu em um ambiente de cautela dos investidores com os desdobramentos da nova ofensiva comercial do presidente dos EUA, Donald Trump.

No sábado, Trump afirmou que elevará de 10% para 15% uma tarifa temporária sobre as importações dos EUA de todos os países, o nível máximo permitido por lei. Na sexta-feira, ele havia anunciado uma alíquota de 10%, após a Suprema Corte do país derrubar seu programa tarifário anterior.

Na manhã desta segunda-feira, Trump voltou a criticar a Suprema Corte e disse que outras tarifas podem ser usadas de forma “muito mais poderosa e desagradável”.

No campo geopolítico, também seguiram no radar as tensões entre EUA e Irã, que indicou estar disposto a fazer concessões em seu programa nuclear em troca do fim das sanções norte-americanas e do reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.

No Brasil, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mais cedo mostrou que a mediana das projeções de economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 passou de R$ 5,50 para R$ 5,45. Já a expectativa para a taxa básica de juros Selic no fim do ano foi de 12,25% para 12,13%.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

Nesta segunda-feira, não ocorreram operações do Banco Central no mercado de câmbio. Dos 750.000 contratos de swap que vencem em 2 de março, o BC rolou até a última sexta-feira 725.000.

Para profissionais ouvidos pela Reuters, em função do forte fluxo recente de recursos para o Brasil, o BC tem espaço para não rolar integralmente os swaps cambiais e as linhas (operações de venda de dólares com recompra) que estão para vencer em março.

No exterior, às 17h09 o dólar tinha queda de 0,28% em relação ao iene, a 154,62. Já o euro era negociado a US$ 1,1792, em alta de 0,10% no dia. Neste horário, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,33%, a 97,700.

Conteúdo distribuído por Reuters

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