Finanças

Empresas brasileiras estão fazendo ofertas públicas iniciais nos Estados Unidos

Lista inclui Nubank, Inter e, mais recentemente, a Picpay
Empresas brasileiras estão fazendo ofertas públicas iniciais nos Estados Unidos
Foto: Paula Arend Laier / Reuters

São Paulo – Empresas brasileiras têm optado por fazer ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. A lista inclui Nubank, Inter e, mais recentemente, Picpay. Juros mais baixos e exposição a um mercado robusto como o norte-americano estão entre os principais fatores para a predileção pela NYSE, a Bolsa de Nova York, em vez de pela B3.

A recente abertura da Picpay na Nasdaq foi mencionada pelo CEO da B3, Gilson Finkelsztain. Para ele, “mais importante do que saber se deveria abrir no Brasil ou fora, o IPO parece ser um prenúncio do que vem aí: potencialmente uma onda de aberturas de capital no Brasil”.

Essa também é a visão do CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho. Em entrevista coletiva na quinta-feira (5), após o banco reportar lucro recorde no último ano, ele afirmou ser possível abrir uma janela para IPOs no Brasil.

“Os IPOs no exterior foram bem recebidos e, naturalmente, são um bom teste para o mercado brasileiro. Com o início do ciclo de cortes, deve ser tudo mais constante. Mas, sem saber que tipo de volatilidade as eleições vão apresentar, saberemos melhor ao longo do ano se teremos essa janela para IPOs. Se tiver oportunidade, vão ser casos muito específicos e pontuais, e talvez abra uma janela pós-eleição também com um pouco mais de previsibilidade sobre a economia”, disse.

O CEO da B3 vê a retomada dos IPOs começando por empresas de infraestrutura. “O setor de saneamento parece estar mais avançado, com logística na sequência”, analisou. Também estão no radar outros segmentos, como energia, concessões rodoviárias, farmacêutica, cimentos e siderurgia, além de companhias familiares com oportunidade de expansão.

“Está claro que serão empresas mais maduras, com uma perspectiva de investimento mais delineada. Normalmente é assim: o ciclo começa com empresas mais maduras e mais preparadas, o que, combinado com este momento de diversificação global, fraqueza do dólar e juros em queda, pode ser bastante positivo para o Brasil”, disse.

Trillia

O almoço da B3 com jornalistas foi também para anunciar uma nova marca: Trillia, uma plataforma de soluções de dados e analytics para empresas. O produto concentra as marcas PDTec, Neoway, Neurotech, DataStock e a unidade de infraestrutura para financiamentos, que agora ficam sob um mesmo guarda-chuva na bolsa.

A ideia, segundo o executivo, é que seja um produto menos exposto aos ciclos econômicos -como bolsa de valores, a B3 está, naturalmente, sujeita às entradas e saídas de capital conforme a dinâmica de atividade.

A Trillia, nesse sentido, será uma fonte de receita recorrente, com o objetivo de assegurar mais estabilidade para o balanço da B3.

Reportagem distribuída pela Folhapress

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