Estatais apuraram rombo de R$ 5,87 bilhões no ano passado
Brasília – As empresas estatais registraram déficit primário de R$ 5,87 bilhões em 2025, segundo dados do Banco Central divulgados na sexta-feira (30). Esse foi o segundo pior resultado, em valores nominais, desde o início da série histórica, em 2001.
O rombo do ano passado só foi menor do que o registrado em 2024, quando houve déficit recorde de R$ 8,1 bilhões.
A estatística do BC considera as contas de estatais federais, estaduais e municipais, exceto Petrobras e bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Em 2025, o déficit das estatais foi puxado pelo resultado negativo das empresas federais, de R$ 5,1 bilhões. Já as estatais controladas por estados e municípios tiveram resultado deficitário de R$ 336 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente.
A argumentação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que um resultado deficitário não significa que a saúde financeira da empresa esteja comprometida e que o mais importante, ao olhar para a conta das estatais, é verificar se as empresas estão dando lucro ou prejuízo.
Pesou no quadro das estatais federais a situação de deterioração enfrentada pelos Correios, que acumularam prejuízo de R$ 6,1 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, quase o triplo do observado no ano anterior, quando o resultado negativo foi de R$ 2,1 bilhões.
O resultado das estatais foi menos negativo do que o déficit de R$ 6,2 bilhões autorizado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Não se trata, porém, de uma melhora estrutural nas contas das empresas.
Segundo técnicos do Executivo, o desembolso dos Correios ficou abaixo do esperado em decorrência da demora na conclusão da operação de crédito de R$ 12 bilhões no fim do ano passado.
Em novembro, o governo havia atualizado a projeção do resultado das estatais para déficit de R$ 9,2 bilhões. O valor indicava, inclusive, o risco de estouro da meta fiscal das estatais.
O alvo era déficit de até R$ 6,2 bilhões, sem contar outros R$ 5 bilhões extras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que ficam fora dessa conta.A projeção levou a equipe econômica a precisar congelar R$ 3 bilhões do Orçamento Fiscal.
Neste ano, a meta das estatais é déficit de R$ 6,75 bilhões, fora R$ 5 bilhões em investimentos do PAC, mas o governo conseguiu garantir, desde já, espaço extra de R$ 10 bilhões para acomodar despesas ligadas ao plano de reestruturação dos Correios.
Após a divulgação do BC, o Ministério da Gestão e Inovação, responsável por supervisionar as estatais federais, afirmou que o déficit registrado em 2025 “foi fortemente influenciado por investimentos e pagamentos de dividendos”.
O governo federal tem 44 estatais, mas apenas 20 delas são contabilizadas na estatística divulgada pelo Banco Central. “O resultado fiscal [das estatais] olha para as empresas com uma lógica de orçamento público e aponta se a empresa tem déficit ou superávit. Nessa metodologia, é como se a cada ano ela começasse janeiro do zero, sem recursos em caixa, sem poupança, sem valores guardados de receitas de anos anteriores”, disse a pasta.
“Assim, quando a empresa faz um investimento, compra uma máquina ou recolhe dividendos usando recursos guardados de anos anteriores, ela pode acabar registrando déficit nas suas contas”, acrescentou.
A pasta afirmou que empresas lucrativas podem ter déficit em situações como ciclo de investimentos, pagamento de dividendos ou elevação de despesas. Segundo o Ministério da Gestão, das 16 empresas que apresentaram lucro no ano passado, oito delas também tiveram déficit fiscal, pela metodologia do BC.
Reportagem distribuída pela Folhapress
Ouça a rádio de Minas