Finanças

Gastos com juros somaram R$ 1 trilhão

Aumento do estoque nominal da dívida e a elevação da Selic no período justificam o resultado
Gastos com juros somaram R$ 1 trilhão
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Brasília – No ano passado, os gastos com juros somaram mais de R$ 1 trilhão, equivalente a 7,91% do PIB. Em termos nominais, esse foi o maior valor da série histórica do Banco Central. Em 2024, o montante havia sido de R$ 950,4 bilhões (8,07% do PIB).

Os fatores que contribuíram para o avanço da conta de juros do setor público consolidado foram o aumento do estoque nominal da dívida e a elevação da Selic no período. A taxa básica ficou estacionada em 15% ao ano — patamar mais alto desde julho de 2006 — ao longo de todo o segundo semestre de 2025.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, o montante de juros teria sido ainda mais elevado se não entrassem na conta as operações com swaps realizadas em 2025. “Sem os swaps, a despesa de juros teria sido de R$ 1,1 trilhão”, disse.

Meta

O resultado das contas do governo central indicou o cumprimento da meta fiscal traçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, graças a valores retirados da conta.

O alvo do governo Lula era obter saldo zero, mas havia margem de tolerância que permitia que o resultado efetivo fosse negativo em até R$ 31 bilhões.

Segundo o Tesouro Nacional, o total de despesas fora da meta fiscal ficou em R$ 48,7 bilhões em 2025. O valor inclui R$ 41,15 bilhões em precatórios excluídos da regra por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 2,8 bilhões em desembolsos para ressarcir aposentados do INSS, R$ 2,5 bilhões em gastos com defesa nacional e R$ 2,2 bilhões em despesas temporárias de saúde e educação.

Para efeitos da regra, considerando o déficit de R$ 58,7 bilhões calculado pelo Banco Central, o resultado ficou negativo em R$ 10 bilhões, dentro do intervalo de tolerância previsto.

“O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda e da Secretaria do Tesouro Nacional, é responsável pela execução da política fiscal do País. As estatísticas fiscais [divulgadas pelo Banco Central] são utilizadas para fins de verificação de metas. Isso não quer dizer que seja o Banco Central que atesta se as metas foram cumpridas ou não. A parte que cabe ao Banco Central é a compilação das estatísticas”, afirmou Rocha.

Reportagem distribuída pela Folhapress

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