Mercado cobra mais resultados do Bradesco
São Paulo – A cobrança do mercado financeiro por resultados é mais intensa do que a da chefia do Bradesco, afirma o CEO do banco, Marcelo Noronha. Investidores se desapontaram com as projeções da instituição para 2026, menores que o esperado.
“O mercado começou a trazer a expectativa, ele cobra mais do que os chefes, cobra mais do que o meu conselho”, disse o executivo ao comentar o balanço.
O banco projeta um crescimento da carteira de crédito neste ano entre 8,5% e 10,5%. Já a expectativa para margem financeira líquida vai de R$ 42 bilhões a R$ 48 bilhões. Em 2025, esses números ficaram em 11% e R$ 40 bilhões, respectivamente.
“O guidance foi a principal surpresa negativa e o ponto médio indica lucros de R$ 27,5 bilhões, o que acreditamos ser excessivamente conservador (e abaixo das expectativas)”, dizem analistas do UBS BB.
Na sexta (6), por volta das 11h40, as ações preferenciais do banco (BBDC4) recuavam cerca de 3,40%. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,28%.
“Não vamos mudar a guidance por isso, nem mudar a nossa pegada, nem mudar o que a gente está fazendo. Vamos entregar”, afirmou Noronha em reação aos comentários de analistas.
Em 2025, o lucro líquido recorrente do Bradesco cresceu 26%, para R$ 24,65 bilhões. O resultado veio em linha com a expectativa do mercado. Analistas consultados pela Bloomberg previam um lucro de R$ 24,49 bilhões no ano.
O Roae (retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido médio anualizado), indicador de rentabilidade do banco, acumulado terminou 2025 a 14,8%, ante 11,7% registrados ao fim do período anterior. Apenas para o quarto trimestre, o Roae ficou em 15,2%.
“Vamos colocar o pé no chão? Quando damos o guidance, há um intervalo. Não vamos entregar um ROE menor do que esse que entregamos no último trimestre. Vai ser de 15,2% para cima”, disse Noronha.
O Bradesco tenta recuperar a sua forma pré-pandemia, quanto o Roae era superior a 20%, com Noronha como presidente desde novembro de 2023. Além de mudanças estruturais internas, com troca de diretoria, a instituição está remodelando seus produtos, com maior foco nos mais rentáveis e menos arriscados. Este é o oitavo trimestre de crescimento no lucro.
“Como a administração já sinalizou diversas vezes, o banco está passando por um processo de transformação. Trata-se de um plano de vários anos, com melhorias nos resultados e na rentabilidade ocorrendo ao longo do tempo, passo a passo. É difícil olhar para os números e para o guidance e dizer que não estão entregando o que foi prometido. Porém, com a ação acumulando alta de 70% nos últimos 12 meses, a avaliação provavelmente avançou um pouco mais rápido do que os fundamentos”, diz relatório do BTG Pactual.
Para o braço de seguros, o Bradesco espera um resultado dentre 6% a 8% maior. O segmento teve um lucro líquido anual de R$ 10,1 bilhões, com Roae de 21,9%, em 2025. As receitas de prêmios, contribuições de previdência e receitas de capitalização atingiram R$ 118,5 bilhões, representando uma queda de 2,1% perante 2024.
Excluindo a redução nas contratações de VGBL após a mudança tributária, houve aumento de 6,9% nas receitas. Segundo o CEO da Bradesco Seguros, Ivan Gontijo, a cobrança de IOF na modalidade gerou uma queda de R$ 7 bilhões no faturamento.
“Essa questão obviamente atingiu a todo o mercado. Mas isso também, por outro lado, nos provocou a criar produtos novos e isso vem dando certo, vem ganhando tração e voltamos a ter uma captação líquida. É um segmento importante e que nós pretendemos e continuaremos a crescer ao longo de 2026”, disse Gontijo.
Reportagem distribuída pela Folhapress
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